sexta-feira, 13 de maio de 2011

Cyborg no Trabalho

Como é ouvir com o Processador de Fala, vulgo Implante Coclear a nível profissional? Muitas vezes imaginei como seria estar num espaço aberto deveras barulhento na ausência de paredes ou qualquer tipo de isolamento de som.

Só estão cacifos e imensos computadores de topo, mais as pessoas que exercem as funções, e em cada posição está uma equipa orientada para projectos seguindo uma ordem hierárquica de paginadores, designers, fotógrafos e webdesigners.

Quando entrei no edifício do departamento de produções gráficas, podia ouvir o barulho da impressora a esculpir o papel, o ar condicionado burburinhar baixinho, uma música tocar e o que mais me assustou cada vez que aproximava do local foi a intensidade das vozes a circundar um eco amiudado e frenético em direcção ao meu cérebro. Exclamei para os botões. Chiça! Queres ver que no final do dia terei a cabeça prestes a explodir com tanto ruído em redor... 

A única hipótese foi diminuir o volume e sensibilidade, entretanto notei uma diferença abismal em termos de qualidade sonora do processador de fala... não conseguia escutar claramente as vozes. Estranho haver esta ocorrência, pois dantes não era nada assim. Devo estar com um ouvido super afinado!

Retornei ao volume e sensibilidade normal, mudando de programa do P1 para o P2, comecei a interagir com a malta e foi de uma facilidade impressionante num sítio em que o barulho é constante obstáculo para um implantado coclear cuja tarefa promete não facilitar a vida, porém encontrei o equilíbrio desejado manuseando os botões do processador de fala e a minha vida rola com uma normalidade aparente.

Já no final de tarde, vinte minutos antes da saída do serviço as pilhas do processador foram-se à vidinha, e não tinha outras novas comigo. É no que acontece quando surge imprevistos indesejáveis como ter uma chefe a querer falar comigo e eu não reagir ao seu chamamento. Pior ainda se me concentro na leitura labial, tudo que recebo é a não compreensão verbal... raios partam!


Nem os 20 anos de experiência focada na leitura labial fez activar o mecanismo, estarei enferrujada? Como?! Já?! Assim de repente?! Não, não foi bem fulminante, diria numa questão de meses logo após a activação do Implante Coclear pois o esforço seria recompensado pela via auditiva em vez da visão. 

Comunicamos, com ela a escrever no papel e no final responder-lhe oralmente, sou uma deficiente auditiva cyborg-ouvinte. 

Aí vida!       

3 comentários:

Sara disse...

Olá Alice,
Este post fez-me lembrar o meu local de trabalho :)
Tenta lembrar sempre das pilhas!
O teu chefe e colegas sabem que ouves mal certo? Às vezes dá jeito saberem.. por exemplo, muitas vezes eu estou no meu computador, e alguém me chama a 2 metros de distância (baixinho.. e no meu lado esquerdo onde tenho o aparelho auditivo) .. Normalmente têm que me chamar umas quantas vezes e levantar a voz (estou concentrada no que estou a fazer e desligo-me nos sons) .. então eu digo-lhes que para a próxima seria mais fácil chamar atenção se baterem em algo como se fosse à porta.
Isso de perder a leitura labial não é bom... porque afinal tens que sempre estar a depender do IC, e qd o tiras a leitura labial dá-te MT jeito! Mas tu sabes disto tudo :P

Espero que esteja tudo bem contigo, que corre tudo bem no trabalho.

Beijinhos grandes,
Sara

Anónimo disse...

Hello foi a 1ª vez que li o teu espaço online e adorei muito!Espectacular Trabalho!
Adeus

Genny disse...

Olá, como estás?
Pelo que li fico muito contente que esteja tudo a correr bem contigo nesta descoberta maravilhosa dos sons.
Um grande abraço!
(sei que parece demasiada ousadia mas deixo aqui o meu desejo de te conhecer)