quinta-feira, 30 de outubro de 2008

SeixalJazz


Depois da exposição de Eric Dolphy e Pintura cuja temática envolvia diversas personagens, entre eles, músicos com os respectivos instrumentos em acção, fiquei de queixo caído, muito colorido, a expressão e a liberdade dos gestos, tal era a habilidade de execução extremamente perfeita.

Confesso, até quis levar um quadro para casa! O preço é que foi bastante salgado… 850€, ao menos sei quem é o autor desses fantásticos quadros, um dia lá vou eu buscar para a casinha nova. Mas é que vou mesmo!!!

O ambiente encontrava-se animado, vazio de gente e sem gente, só música de puro Jazz dos anos 80 tocando saxofone, clarinete e flauta e acabaram por me envolver de braços abertos como se pertencesse ali desde sempre.

Eu e a mais nova decidimos nos inscrever a um workshop para amanhã às 15h no mesmo espaço, é capaz de ser interessante, fico a conhecer um pouco mais sobre este universo musical depois de tanto tempo em silêncio. Se tiver de tocar, fá-lo-ei com enorme prazer!

Ainda chegamos a assistir uma Banda “The Electrics” ao vivo por uma hora, no alto das suas capacidades, absolutamente maravilhoso! Amei, adorei, delirei.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Reabilitação Auditiva - Casa

Palavras que já pego com facilidade.

Nomes em 49/12

Ricardo
João
Ana
Marco
Alice
Irene
Susana
Margarida
Duarte
Humberto
Alberto
Dolores

Animais em 25/8

Vaca
Urso
Peixe
Elefante
Girafa
Gato
Pato
Cão

Frutas em 25/4

Ameixas
Maçã
Banana
Manga

Vegetais em 22/6

Azeite
Alho
Massa
Cenoura
Pimento
Favas

Objectos em 29/4

Cama
Alfinete
Caneta (cadeira)
Pente (tapete)

Roupa em 29/7

Camisa
Calças
Sapato
Xaile
Luvas
Sapatinha
Chapéu

Queda Levantada


Já passou. Mandei a tristeza ir-se embora, no entanto a exigência permanece, não consigo actuar de outra maneira. È uma característica minha, profundamente enraizado desde os tempos da infância em que tive de crescer depressa, á velocidade da luz.

Daqui nada irei abarcar numa experiência inovadora, tocar flauta ao som do Yellow Submarine, partir á descoberta das pautas, das claves de sol e notas no dó-ré-mi-fá-sol-lá-si.

Abraçar todos os sons e tesouros melodiosos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Revoltada

Pela primeira vez, o dia ficou cinzento, magoado e desiludido. Exijo muito de mim o quanto não devia, abri a torneira corroendo as montanhas do meu rosto.

Silêncio.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Pilhas, Eu e Implante Bilateral


Mergulhada no silêncio, as pilhas do processador de fala foram á vidinha, acabaram-se os iões de oxigénio e nada lhe resta. O meu universo sonoro ficou reduzido nas três cápsulas metálicas sem reacção química que transforma a corrente eléctrica em energia.

Vejo-as, toco-as e sinto-as mais leves, é incrível de como pode uma pilha fazer tanta diferença e preocupo-me com o excesso bruto de cápsulas gastas por este mundo fora e não é possível reciclá-las. (atenção, uso 3 pilhas e duram somente 4 a 5 dias, dependendo da intensidade de ruído).

Em apenas 1 ano e 4 meses de activada, já devo ter enchido duas garrafas de 1 litro e meio, é DOSE!!! Os meus ricos €€€€€€€.

Para ser mais exacta, de acordo com os dados da COCHLEAR, ultrapassamos a fasquia de 85.000 utilizadores de Implantes Cocleares, não só, bem como as restantes marcas de Implante: a MED-EL e a BIONIC. Tudo a somar, imaginem então a avalanche, mais de 300.000 utilizadores Implantados a nível global e neste momento a maior parte deles estão a aderir ao Implante Coclear Bilateral - um Implante em cada ouvido - absolutamente esmagador!

Se... os famosos "ses"... e lá vai mais um - se me saísse o Euromilhões, não hesitaria um segundo, rumava a Coimbra e mudaria a categoria de unilateral para bilateral, era bom era, mas infelizmente no nosso Portugal pequenino só é permitido apenas um. Unilateral.

Há quem pense, que é barato... se assim fosse, toda a gente tinham novos ouvidos iphónicos. 30.000€ é OBRA!!!

Preferia um Mercedes ou um novo ouvido?

Escolho a 2º opção!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A Dança


Hoje as folhas dançaram e estão ainda a ensaiar os passos lá fora, tudo se move delicadamente e gostaria de me transformar numa folha de outono, acastanhada e seca a fazer ballet e dançar com elas, unir-me ás doces melodias que se elevam na brisa sussurrante.

Nem sempre apreciei esta Estação antes de ser Implantada, perdia-me na natureza das cores e objectos, mas onde estava o som? Não o tinha, nem possuía-o pois havia-o perdido para sempre e encontrava a magia do Outono no olhar das pessoas, a sua essência acolhedora e desabrochada.

Agora tudo mudou, posso escutar claramente as folhas dançando no embalo do vento, dentro do ventre coclear e dali não saem jamais. O meu sorriso é eterno.

Passei a gostar do Outono, graças á sua música e o cheirinho das batatas doces, o vento abraça-me, brinca com os fios do meu cabelo e acaricia o processador de fala dedicando-me fascinantes espectáculos sonoros - dignos de mestre.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Da Mais Nova


Chateada, irritada e estupidamente enfurecida. Onde posso arranjar um roupeiro que traga consigo um cadeado? Para a minha mais nova não andar a vasculhar, com os seus risos maliciosos e o dedo estendido a magicar diante das portas de madeira onde cuja roupa minha encontra-se pendurada, alisada no cabide.

... no passar de horas, chego a casa vou até ao quarto reabrindo a gaveta, e a minha camisola favorita desaparece do mapa... juro, juro, juro que sou capaz de rasgar a montanha de novas requisições vestuárias da mais nova até ao tecto à pala de umas valentes tesouradas... merecia de todo!

Quem ria, era eu. Aí, que vontade está a me dar!!!

sábado, 18 de outubro de 2008

Música Baixa


Não podia deixar este dia em branco, porque qualquer palavra ou vestígios de memória poderia ser esquecido para sempre. Não deixo, jamais permitia que acontecesse e devo registar todos os acasos sonoros do meu inseparável confidente coclear.

A noite esfriou-se com o vento de braço dado, beijando a avenida que parecia mais pequena e quase deserta. Fiquei encharcada de frio e corri para dentro do carro, abrigar-me do ar gélido repentino e o calor começou a assolapar-me pelo corpo, foi então que comecei a ouvir uma música qualquer. Parecia impossível. Não havia ninguém na avenida. Mesmo assim escutava baixinho a uns 20 metros da Sociedade Filarmónica União Seixalense. Era isso. A música vinha dali.

Há uma primeira vez para tudo, e esta foi a primeira que ouvi baixinho seguindo a melodia dentro do carro, de janela semi-aberta diante do horizonte melodioso.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Conquista Sonora de Prata


Já a caminho para a casa nesta tarde quente, imprevísivel ás certezas metereológicas captei auditivamente o altifalante do comboio: Próxima Estação Pragal.

Sempre a crescer, e cada conquista é de prata.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Blog em Destaque


No Jornal da Madeira (datado em 2008-10-07) - clicar aqui - só vim a descobrir hoje. Espero muito sinceramente que este Blog partilhe mundos e possam abrir portas a alguém, quem sabe um dia aventurar-se nesta grande viagem de redescobertas sonoras.

Reajuste Marcado


Irei novamente a Coimbra com a Sara para um novo reajuste agendado no dia 27 de Outubro, logo de manhã ás 09h e a seguir tenho uma consulta com a finalidade de conhecer melhor o médico Dr.L, pois a Dra.S foi colocada noutra especialidade e já não faz parte da secção dos implantados para minha tristeza.

Assim aproveito, pedir uma prescrição médica de modo adquirir o sistema FM que com a base dos três orçamentos encaminharei os documentos necessários á Segurança Social, e aguardar uns meses... vou rezar.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Metro Agitado


O enredo confuso no saco de vozes humanas, o ferrar da linha metropolitana, os beeps agudos das portas de carruagem a fechar e reabrir em cada paragem, em cada estação onde acabariam por entrar mais vozes e cheiros de perfume, de tabaco e cremes. Um baile de ruídos e aromas excêntricos, sem igual e os telemóveis a tocar o tempo todo.

Rio-me para dentro, é tão mas tão bom escutar os embaraços insignificantes, ouço lentamente, saboreio todos os sons um a um, dissemelhantes aos anteriores, mal a porta reabriu um cego de bengala entrara com o seu tinir do copo de lata a pedir caridade cada vez que o bastão comprido batia em seco o pavimento.

Espirros repetidos, tosses, o assoar remexido por mãos frenéticas e o altifalante anuncia a próxima estação: Marquês de Pombal nítida e claramente perceptível. A minha vida já não é a mesma, tudo mudou... e gosto dela assim.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Latidos Roucos


A trabalhar que nem uma louca ontem, por querer melhorar a minha performance de freelancer perdi o sono, a noção das horas e aplaudia as teclas continuamente, sempre, com o portátil repleto de marcas dos meus dedos no teclado acima das pernas cruzadas.

Cativo e movo a linguagem das propriedades artísticas e lá fora os cães ladram a fio, minuto a minuto, ora param e recomeçam com a mesma determinação e persistência. Habituada ás repetidas sonoridades caninas, cheguei a um ponto de assimilar os latidos sólidos a imersos, engolidos numa depressão profunda de roncadura.

Estavam roucos! Dei por eles na madrugada. Que máximo!!!!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Discoteca, não.


Uma amiga minha e colega da jornada coclear convidou-me para ir a uma discoteca com os camaradas na passada sexta-feira, o desafio era atraente e apetitoso. Inicialmente disse que ia, mas depois de considerar melhor, hesitei perante um receio acompanhado de terror.

Que horror, não acredito! Neguei as palavras pragmáticas dentro de mim, um cheiro ácido e cruel chamado pânico, tremia de medo só de pensar em entrar á porta da Discoteca com luzes a rodopiar cegando a minha visão e ouvir de madrugada a música berrante que nem um megafone junto ao meu ouvido implantado. Nem pensar, não me sinto preparada.

Antes quando usava as próteses auditivas, delirava dançando junto das colunas gigantes que através da vibração no solo de madeira ritmava como se não houvesse amanhã. A melodia entrava em mim, mas não do mesmo modo de agora.

Actualmente posso sentir a melopeia, a alma do timbre cândido onde alugares encontro um lugar doce e suave, e a música não dorme, está por toda a parte até mesmo na matemática das coisas, nos passos sapateados, nas vozes, nas gotas de chuva. Tudo é som.

Tenho medo. Um medo tão natural e comum do som em bruto da discoteca. Um dia irei, não agora.

sábado, 4 de outubro de 2008

A Canção de uma Música


Os Argonautas


O barco, meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração, o porto, não

Navegar é preciso, viver não é preciso
Navegar é preciso, viver não é preciso

O barco, noite no céu tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco, da madrugada
O porto, nada

Navegar é preciso, viver não é preciso
Navegar é preciso, viver não é preciso

O barco, o automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto silêncio

Navegar é preciso, viver não é preciso
Navegar é preciso, viver não é preciso

Caetano Veloso

14

Photo by Sun Melody


14 meses de activada


O tempo voa e sou feliz assim. O meu mundo agora é extremamente ruidoso, enquanto teclo ouço o barulho de um aspirador vivaço na vizinha do lado. Não rejeito de certa maneira o processador de fala, tornou-se naturalmente o meu novo ouvido, faz parte de mim.


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Buzinadela Crónica


Meio ensonada, sentada diante da mesa dentro do compartimento envelhecido, banhado de azulejos azuis com as janelas de varanda arqueadas abertas... atentos ao tema da conversa deveras interessante que envolve o Homem e Máquina.

Por aí tudo bem, se não fosse a chata da buzina insistente e enfadonha a apitar com fealdade durante uns fantásticos 10 minutos, nem mesmo as janelas propositadamente fechadas safei...

RAIO DE BUZINA

Estou com uma dorzinha malandra da cabeça - depois dizem-me que sou Surda.