quinta-feira, 30 de julho de 2009

24 meses de Audição

Photo by Sun Melody

Uau! Dois anos de pura audição, jamais esquecerei o dia da activação do meu Implante Coclear, no Hospital dos Covões, momento este em que renasci de novo perante a vida, do silêncio para a canção.

"Melhor do que os sonhos só mesmo a realidade,
o teu canto agudo que forçosamente me segreda na cóclea
é sublime!"


30 de Julho de 2007

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Telemóvel Ligoo


O dia despontou cálido e apaixonado pelo mar, repleto de automóveis que seguiam na estrada rumo a praia e ao de longe escuto as sirenes dos bombeiros a passar na estrada nacional com rapidez.

Minutos mais tarde, o telemóvel toca obstinado, atendo uma voz feminina muito acelerada, enrolando as palavras todas como se fossem engolidas de uma só vez. Não percebi nada, disse para falar mais devagar e lá verbalizou de novo “Corta as batatas para fritar”… agora sim entendi, pronunciado correctamente as palavras.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Revista Avance Coclear


Há uns meses atrás inscrevi-me no site da GAES espanhola para obtenção de uma revista gratuita, ainda incerta se iria um dia receber na caixa de correio pois esta viria de Madrid, exactamente, de MADRID.

Hoje, depois de um dia cansativo ao entrar na porta principal do prédio vi o envelope branco e descorado com o meu nome e morada, no fundo sabia-o e então virei, ei-lo o famoso selo carimbado de España e abaixo o símbolo da GAES. Empolgadíssima, abri suavemente até avistar o título da revista AVANCE COCLEAR.

Já começo a internacionalizar-me e ahora voy allí leer las palabras de nuestros hermanos.


terça-feira, 7 de julho de 2009

Coimbra à Vista


Já acordada em plena madrugada, são 05:00 aqui, e daqui bocadinho rumo a Coimbra - cidade que sopra melodias, quando regressar terei os resultados audiométricos em meu poder e eu como sempre SUPER ansiosa em rever a equipa lá.

Um até logo.

domingo, 5 de julho de 2009

Ocasião Imprevisível


Um idoso, sentado na mesa a bebericar uma cerveja da Super Bock tem os olhos fixos em mim, e a história começa já ali. Vejo o jornal, o correio da manhã pousada sobre a pedra de mármore redonda, avanço gentilmente a perguntar se posso pegar na gazeta.

Eis o barrigudo de barba rija, começa a enxergar para a bolsinha em que seguro o processador de fala no ombro, ao se aperceber da minha quase Surdez, eleva os braços e faz umas mímicas gestuais de morrer a rir, penso, obviamente indignada neste abismo onde impera a desinformação cultural abundante.

Reprimi calada, a espera do momento certo e respondi-lhe sem papas na língua, “Senhor, não o quero ofender, mas por favor fale comigo oralmente e deixe os gestos de lado, pode ser?”

Só me recordo, de o seu rosto ter ficado assombrosamente boquiaberto, incapaz de dizer qualquer palavra, a boca muda e o mundo repousou abatido naquele espaço barulhento, preso pela minha resposta fortuita e a minha satisfação infiltrara como o raio de sol a brilhar interiormente.

O homem continuou abalado, confuso e perdido nos seus pensamentos a questionar de como pode uma pessoa surda a falar, foi preciso pessoas amigas dar palmadas nas costas, e durante a minha permanência no clube não conseguiu desviar a curiosidade vibrante. Seguiu-me sempre com o olhar firme.