terça-feira, 19 de agosto de 2008

Azar

Dói-me o ouvido não implantado - alguém me livre desta DOR lancinante ?!

BUUUUUUÀÀÀÀÀÀ

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Pensamento Guardado


"Caem estrelas sonoras em Coimbra, sopro este
que irei ouvir pela primeira vez
e partir á descoberta no mundo dos sons."


20/08/2006
Um ano antes da confirmação e certeza da cirurgia.

domingo, 10 de agosto de 2008

Fui...


.... de FÉRIAS... aguardem o meu regresso
recheado de
SONS
e
DESCOBERTAS.

sábado, 9 de agosto de 2008

A Descoberta no Azul-Esmeralda


Amarramos as coisas nas costas, directos para a ponta do mato que fica noutro lado da cidade, pude ouvir os meus passos a roçar os grãos de areia, um som agreste mas surpreendente que fez-me ceder a força do impacto no solo para um feitio mais suave… já não andava de forma desajeitada, aprendi manter a postura delicada.

Pego na mochila, e tiro de lá a toalha de praia colorida onde acabo por a lançar pelo ar cheio de vida e depois desce até ao chão paralisado. É então que o vejo á minha frente, um imenso líquido azul-esmeralda, não me recordo de contemplar algo assim em toda a minha vida.

Boquiaberta. As cores nutriram os meus sentidos. Não era possível, dizia eu, Lisboa estava ali noutra margem, tempo louco este, peixes, observo escamas prateadas que reflectiam á luz do sol, e são tantos… tantos dentro da água, daquele azul-esmeralda.

A visão fora beijada, tinha ficado sem palavras, e escondi o arrependimento por não ter trazido comigo a máquina fotográfica e marcar esta eternidade extática, o calor começara a apertar no meio de um vento brando.

Virei, na espera de amigos á frente da estrada poeirada, uma grande nuvem de pó erguia velozmente e sem esperar ouço um chamamento de uma criança “Maaaãeeee”. Era uma voz diferente, de alguém que não conhecia de nada nenhum, nem muito menos da Rua, a voz de um rapazinho aloirado e moreno a tomar conta do irmão mais novo.

Outro, “Maaaãeeee” inundou o meu ouvido implantado. E foi assim que abracei o som do rapazinho desconhecido sem vigiar por perto, o meu cérebro finalmente aprendeu aspirar uma voz de um lugar que outrora não existia, porque antes ele não aceitava, o meu cérebro não recebia com agrado o fonema misterioso - de um desconhecido.

Hoje ele adquiriu o conhecimento da memória auditiva. Cresceu, e eu prosperei.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Grilos


A noite batia um duelo silencioso, a ausência de ruído incomodava ao ponto de chocar contra os meus sentidos sem piedade. O meu silêncio é diferente daqueles que ouvem, para mim é uma privatização sensorial, o abismo absoluto e atribulado numa tempestade sem fim.

Tinha o Implante Coclear ligado, mesmo assim não ouvia nenhum burburinho em redor, apenas escuridão entre as brumas do calor suado, a mistura de odores pairava no ar, um perfume salgado e bronzeador dentro do quarto. A janela aberta. O silêncio era igual ao anterior, demasiado silencioso e quieto.

Não conseguia fechar os olhos, andei às voltas na cama que com o movimento do meu corpo, acariciando suavemente o lençol, os sons incendiaram-se cheios de energia e senti-lo dentro de mim, renasci.

Pouco a pouco, múltiplos ruídos surgiam como formigas, o ronronar pesado e ferrado dos três elementos da minha família mergulhados no sono profundo, uns mais leves e densos no acto de respirar.

Cerrei os olhos, só para escutar melhor, concentrei em tudo que pude, ouvia somente o bafo quente na infinita distância das suas bocas no vai e vem, o mundo lá fora iluminado por um poste de luz e me acordou, as estrelas brilhantes no alto do céu, cintilou a minha visão.

Levantei devagarinho sem acordar ninguém, dei quatro passos em direcção á janela aberta, mirei a bonita paisagem estrelar e o meu ouvido implantado apanhou uma frequência baixa e aguda, o que é? Parecem os grilos a cantar…

Fiquei arrebentada com a melodia, assim fiquei pela noite toda, ouvir esta grandiosidade.

Surpresa no Microondas

Hoje, o microondas emitiu apitos de aviso e eu desconhecia o som.

Engraçado.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Encontro de Implantados - Coimbra 1


Depois de um longo dia, na viagem de carro pela manhã revigorante via o mundo a passar, os ecos da natureza nascer, os raios solares e a seguir o azul do céu. Deixamos a cidade, agora só serpenteávamos na auto-estrada no meio de um véu esverdeado.

Ouvia motores enfurecidos a acelerar, segundo por segundo em alta velocidade, a ânsia das férias, do escapulir para longe, o precioso escape e dedicar todo o amor aos que há muito não se vêem, encurtar a distância a um abraço.

Tanta gente na estrada portuguesa, olho constantemente para o relógio do meu telemóvel, falta meia hora para às 10h, o coração aperta, pressinto de que irei chegar um pouco atrasada, pergunto quantos quilómetros faltam. Daqui 40 minutos devemos estar lá.

Vejo a placa, Coimbra – 50 km, parece-me uma eternidade! Dedico o meu olhar á natureza, e absorvo a essência a escutar música do carro em pleno andamento, abro a janela de vidro, o som do vento, gosto do som e é irresistível, delicioso de se ouvir. O vento a bater no carro. Digo para dentro, oh que bom é ser implantada!

Recebo mensagens, de amigas e amigos implantados e não-implantados no lugar-comum a todos nós, Coimbra, a cidade mágica, o berço do Implante Coclear. Estão ansiosos como eu, empolgados para o 1º Encontro Nacional e Convívio de Implantados no Parque Verde da Cidade do Mondego. Será que vai muita gente ou pouca? Não sei, o importante é conviver e trocar experiências.

Virámos para Coimbra-Sul, quase está quase, ultrapassamos a portagem, Coimbra invade a minha visão, esplendorosa e procura beijar-me, abraçar, pegar em mim e dançar a rodopiar com picos dos pés sob o Rio do Mondego. Derrama-me os sentidos.