sexta-feira, 15 de março de 2013

Olhos em Bico


Depois do estrondo na chegada do elegante Nucleus5 que aconteceu em 2009 no universo dos implantados da marca Cochlear com um sistema repleto de novas características e funcionalidades eis que volvidos 5 anos há um anunciar ainda em fase de experimento e testes na casa-mãe da Cochlear - em Austrália:

O Nucleus6!

O que dali vai sair? Não me defraudes as expectativas se faz favor...!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Ouvir Lisboa com o IC

Lisboa apilhada de turistas, metro lotado e uma música surge de repente por detrás de mim, alguém toca acordeão - sei-o através do timbre que o instrumento produz ouvindo pelo processador. Sorrio. Simplesmente sorrio de como a vida é mais simples e fácil de sentir o mundo que nos rodeia  e ao mesmo tempo ser tão barulhento!

Não odeio o incomodo lascivo, certo existem ruídos desagradáveis mas antes pelo contrário gosto de os saborear infinitamente depois de duas décadas silenciosas, acabo por me aperceber de como a segurança auditiva é capaz de me reconfortar tranquilamente. No fundo faz imensa diferença para o meu dia a dia, de como é impressionante entender as pessoas onde não existe grandes dificuldades e obstáculos comunicativos comparadas na altura em que usava próteses auditivas.

Nada a ver, é incomparável, às vezes custa-me acreditar que sou capaz de ouvir, de sentir e ainda saber conquistar detalhes tão precisos de uma senhora sentada de frente para mim a perguntar se a carruagem parava no Colégio Militar/Luz quase tão baixo que me custava captar devido ao intenso  ruído do metro em andamento e lhe responder que sim.

O implante coclear é sem dúvida uma verdadeira bênção!      

terça-feira, 12 de março de 2013

Terça-Feira - Parte 2

Limites. Cérebro pede silêncio, processador de fala retirado e guardado no interior de um estojo devido a uma forte enxaqueca que pendura omnipresente sob um aviso meteorológico - o frio vai voltar. 

Hoje é dia de me sucumbir ao silêncio.    

Momentos Simples

Sentada num dos bancos compridos de madeira a desenhar ao som da chuva que embatia naqueles gigantes vidros com vista para o rio e deliciar o ondular da tempestade, criava contornos a carvão de um projecto que começa a conquistar asas para voar... eis, que surge uma voz feminina tremeluzente que ecoa enquanto pincelava de cabeça para o bloco de notas um "desculpe, pode me dizer as horas?" -  embaraço tímido - olho para o relógio e digo "são sete e meia" - devolvo um sorriso educado, em retorno recebo um "obrigada" também sorrindo.

terça-feira, 5 de março de 2013

Hoje

Terça-feira e a tarde escurecia ao som da chuva que tombava pingos aquosos, é música para os ouvidos! Estás concentrada em criar tabelas organizadas a pedido de uma pessoa muito querida e a impressora resolve dar-te um treco porque o computador não reconhece o ficheiro do programa. Tentas outra abordagem. Não estás sozinha na sala, tens companhia de um senhor de idade, mais novo que o teu avô a revirar tantas vezes o rosto na direcção. Esboças um tímido sorriso forçado depois de o ajudares na trapalhada do e-mail erradamente escrito, bate a mão na testa e exclama “sou mesmo dah!”. E é então que o diz “a tua cara não me é estranha, já te vi em algum lado numa fotografia tirada de um clube com farda branca e cinto negro, és tu?” – pensas dialogando nos botões da alma “aleluia não me conhece como sendo Cyborg, afinal a Sun Melody tem outras definições enquanto pessoa polivalente”. – Entretanto à medida que iam conversando ele repara numa coisa estranha que brilha reflectido pela luz das compridas lâmpadas o circulo magnético transportado no meio dos fios de cabelo, reconheces a expressão facial de estranheza - “oh não, lá vou ter de contar novamente mais quinhentas vezes o significado desse tal objecto magnético.” – e para ser mais fácil, simples e rápido em desvendar este milagre de tecnologia ainda insondada neste país desloquei o íman, depois o processador e por fim grudei-o em mim numa explicação leve como se fosse dada a uma criança “sem ele sou incapaz de ouvir, não ouço a sua voz nem o timbre com todas as tonalidades que emana na língua portuguesa já que a minha surdez é profunda, assim quando ligo o Implante Coclear é como se o mundo, a vida me devolvesse ao lugar de sempre, vivo de verdade em sentido de pertença” - o senhor ouvia surpreso seguida de inúmeras perguntas bombardeadas que fui respondendo saciando o conhecimento biónico nesta ávida mente por uma curiosidade. E sim, sou aquela de farda branca e de cinto negro.