segunda-feira, 30 de março de 2009

Assisti no CCB



o BOXNOVA EXPERIMENTO 1 no Centro Cultural de Belém e fiquei sem palavras! Corpos dançantes.

Detalhes só no próximo post, para já fica o registo.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Tenho


nove anos.

As minhas roupas estão ensopadas de suor por ter andado de bicicleta a manhã inteira, mas agora estou a descansar sentada no leito de uma pedra à beira do rio e tudo se estende ao infinito.

No fundo, milhares de patas esguias criam uma névoa rosada contendo a plumagem cal como neve, de beleza indiscutível e os bicos pungentes prendem o meu olhar acriançado. Fechei os olhos, devolvi o rosto ao mundo sentido um leve sopro ameno e pus-me a pensar de como seria o seu som. Não podia ouvi-los. Os flamingos e o vento no marulhar das rochas.

Contive a respiração tremida, revoltei-me de não puder escutar como os outros, os timbres pareciam ser belíssimos naqueles corpos cheios de vida, corpos de gente desconhecida arrastadas no panorama momentâneo. Encolhi mais uma vez os ombros, danada comigo própria. Procurei respostas, mas ninguém soube explicar as minhas teorias sobre o regresso tumultuoso da Surdez, questionei vezes sem conta o porquê a mim.

Tenho o coração a ranger cada vez mais e na tentativa de esquecer esta dor imprudente pego na bicicleta e pedalo em alta velocidade, fujo assim um pouco da realidade que me rodeia.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Cartaxo


Como havia de ser, mais uma digressão musical desta vez para o interior de Santarém, no concelho de Cartaxo e é mesmo uma vila lindíssima, bastante calma por natureza e soube bem distanciar da confusão metrópole.

Fui ver a minha irmã tocar na combinação da arte e ciência orquestral, um conjunto de melodias sopradas nos instrumentos cativantes, sons divinais mergulharam adentro. Sinfonias. Fiquei completamente extática tendo fechado as pálpebras por instantes na maior parte do tempo até os músicos cessarem de vez e as palmas ecoaram o pavilhão.

Intervalo.

Tenho na mão uma folha A4, estou a ler um pequeno texto e ouço alguém a falar no microfone transparecendo uma voz grave que soa à Pato Donald, e um vislumbre desperta o córtex da memória auditiva em mim "dois mil e seis". Paro e rebobino a questionar, ouvi mesmo?! Ele disse "dois mil e seis?"

Pergunto à minha mãe sentada a meu lado, sussurrando no ouvido "o locutor disse dois mil e seis não foi?" e aqueles olhinhos castanhos cintilantes resplandece ao me citar "dois mil e três, e não seis" com um sorriso encantador.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Dentro do Carro


Sentada na fila de trás do carro, os dois homens conversam, um ao volante e o meu namorado no lugar dianteiro de ocupante. Ouvia as suas vozes ásperas e graves, nasaladas em mim mais concretamente dentro do cérebro no meio agitado da combustão interna, o motor.

Uma vivalma de ruídos exaltados, e sem esperar capto três palavras de claro entendimento nas cordas vocais exprimida oralmente pelo meu namorado: "estás a entender?"

Pisquei os olhos, admirada pois a conversa era entre os dois. Simplesmente discriminei de modo inesperado, mais uma conquista! Yupi.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Diálogo


Hoje esteve um dia esplêndido com alguns atritos, porém não podia deixar isso de lado e conversa puxa conversa numa tarde quente que mais parecia Verão, olhei-o de relance e li os lábios a pergunta que fizera:

"Queres comer gelado?"
"Não"

Virei o olhar, e estendi-o ao horizonte centrada nos meus pensamentos, mas não me impossibilitou de ouvir um fio de palavras invisíveis em tom grave:

"De certeza?"
"Sim"
"Absoluta?"
"Sim, não me apetece e tu queres?"

Ri interiormente por finalmente entender a voz dele, essa voz que tanto buscava e ainda busco até ao fim do mundo. Essa voz que me embala e me faz pulsar cada vez com mais intensidade neste amor sereno.

sexta-feira, 13 de março de 2009

A Paragem do Silêncio



Tenho momentos a sós, aliciando-me a ouvir música através do MP3 ligado ao diapositivo do processador de fala na curta viagem a Lisboa e todos os sons banham o meu ser outrora silencioso, aquele silêncio omisso e perturbante que lentamente emudecia os rasgares da infância e adolescência.

Chorei horas a fio num corpo de meninice, cuja consciência despertara bastante cedo, um sofrimento que superava a qualquer prazer… a de não ouvir. Foram tantas as dores segredadas e confidentes em mim. Tremi por dentro. Queria tanto ouvir as palavras audíveis e brilhantes, acompanhar a música e dançar. Sentir os sons a penetrar no meu cérebro, discriminar cada acorde de uma canção e não colocar as minhas mãos junto às colunas enormes que dali vibravam músicas.

Quis apenas sair desse abominável mundo taciturno. Chega de silêncio, não posso mais, não é meu e não lhe pertenço de maneira nenhuma. Que sinto quando olho para ele? Vazio e sem vida, habita o fim do mundo.

Abano a cabeça ao som da guitarra rockeira, ouço a voz do cantor, a bateria e no ambiente de fundo os passageiros conversam, o troço da linha ferra, o altifalante anuncia as próximas paragens e olhando para isto tudo ESCUTO em permanente redescoberta no meu ouvido implantado. Percebo os sons, identifico os sons, acho os sons em qualquer lugar e a qualquer instante! Saboreio as vozes de quem amo. Os meus olhos agora tocam os olhos dos outros e não a boca, já não preciso das bocas para eu ler as palavras. Para isso a tarefa cabe ao ouvido implantado captar subtilmente sílaba a sílaba as dicções da Língua Portuguesa.

A faixa mudou, depois do Rock segue as teclas do piano, reconheço e é a nona sinfonia de Beethoven, agora fecho os olhos e tímidas cócegas chapinham no meu interior á luz do dia, é uma liberdade imponente. O silêncio já não me prende. Nunca.

domingo, 8 de março de 2009

Explorando Descobertas


Cheguei a casa depois de passar uns dias fantásticos fora, segui o corredor e quando aproximei junto da porta do escritório dei um passo atrás. Ouvi algo. Um som familiar. Um pássaro a cantar desafinado, resolvi abrir a janela e procurar o misterioso cantor de ópera...

Avistei um canário amarelo engaiolado, preso nas grandes grades que lhe dá espaço suficiente para abrir as asas e dar uns pulinhos naqueles cantos, começou logo a abrir o bico produzindo sons cadenciados no raiar da tarde solarenga.

Continuo a ouvi-lo.

Fascinante!

terça-feira, 3 de março de 2009

Asas da Mudança


Hoje de manhã fiquei a pensar, porque raio não existe nenhum site de origem portuguesa referente a Implantes Cocleares se esta técnica implementou na década 80? Em outras palavras, existe até um endereço mas está inacabado e o grafismo muito aquém do desejado...

Em breve reúno um grupo de Cyborg's criativos e começaremos a escalar incentivando os debates/estudos/evolução tecnológica com os profissionais da alta patente médica ligados a esta natureza biónica. Graças a eles estamos aqui a ouvir, tirando-nos da Surdez a milhares de crianças e adultos, o número não engana ninguém: mais de 600 implantados em território nacional.