Às vezes quero mesmo
entender o que vai na cabeça de certas pessoas ligadas à Comunidade Surda, cuja
demanda é a defesa plena e árdua da Língua Gestual seja de que país for sem
pensar na colossal diversidade que prevalece: surdos gestualistas, surdos
bilingues que transitem entre dois mundos de mãos dadas, surdos oralistas
aparelhados e implantados desde nascença ou adquirida como primeira língua
materna, o português falado.
Choca-me profundamente haver um livro que apregoa as inverdades, factos adulterados a respeito do Implante Coclear com uma relutância que incentiva discussões polémicas, contestações injuriadas no intuito de alimentar novos mitos já desmitificados pela maioria das pessoas portadoras dessa tecnologia biónica ao longo dos anos. Como podem querer continuar adoptar uma postura resistente perante uma tecnologia que inevitavelmente progride de olhos vistos a um ritmo avassalador de forma positiva mudado milhões de vidas? Ainda tem o descaramento em limitar as opções abertas e confundir as famílias que buscam uma solução menos impactada aos seus filhos. Estas pessoas veem no Implante Coclear um retrocesso, uma ameaça à sua cultura e ao seu mundo, vedado de forma categórica as condições na busca de uma melhoria da qualidade de vida a longo prazo que traria sobretudo inúmeras vantagens numa sociedade extremamente competitiva em que a exigência é a comunicação oral total.
Mais engraçado é, analisado através de uma perspectiva intimamente pessoal, não sou contra a Língua Gestual pois sei perfeitamente que nem toda a criança surda tem tanto sucesso na oralização assim como no decorrer do desenvolvimento com o IC, isto é um facto real que assisti sobretudo em Portugal em que algumas crianças necessitaram de englobar as duas línguas juntas de modo dar um empurrão para a explosão falada. Sou contra a imposição insistente, dotadas do mais absoluto disparate de falácia doentia e macabra de que o IC faz aquilo e isto rodeado de negatividade, absurdo de mentes imaturas, de mentes que não abraçam o desconhecido, de mentes que não fazem ideia do que é o som, de mentes que inevitavelmente fecham as portas ao que o mundo tem para oferecer. Só os mais ousados possuem esta coragem e brilho nos olhos!
Choca-me profundamente haver um livro que apregoa as inverdades, factos adulterados a respeito do Implante Coclear com uma relutância que incentiva discussões polémicas, contestações injuriadas no intuito de alimentar novos mitos já desmitificados pela maioria das pessoas portadoras dessa tecnologia biónica ao longo dos anos. Como podem querer continuar adoptar uma postura resistente perante uma tecnologia que inevitavelmente progride de olhos vistos a um ritmo avassalador de forma positiva mudado milhões de vidas? Ainda tem o descaramento em limitar as opções abertas e confundir as famílias que buscam uma solução menos impactada aos seus filhos. Estas pessoas veem no Implante Coclear um retrocesso, uma ameaça à sua cultura e ao seu mundo, vedado de forma categórica as condições na busca de uma melhoria da qualidade de vida a longo prazo que traria sobretudo inúmeras vantagens numa sociedade extremamente competitiva em que a exigência é a comunicação oral total.
Mais engraçado é, analisado através de uma perspectiva intimamente pessoal, não sou contra a Língua Gestual pois sei perfeitamente que nem toda a criança surda tem tanto sucesso na oralização assim como no decorrer do desenvolvimento com o IC, isto é um facto real que assisti sobretudo em Portugal em que algumas crianças necessitaram de englobar as duas línguas juntas de modo dar um empurrão para a explosão falada. Sou contra a imposição insistente, dotadas do mais absoluto disparate de falácia doentia e macabra de que o IC faz aquilo e isto rodeado de negatividade, absurdo de mentes imaturas, de mentes que não abraçam o desconhecido, de mentes que não fazem ideia do que é o som, de mentes que inevitavelmente fecham as portas ao que o mundo tem para oferecer. Só os mais ousados possuem esta coragem e brilho nos olhos!
As escolhas devem ser respeitadas, assim como a escolha dos pais diante da sua criança, mais do que uma escolha é a garantia de um futuro repleto de acontecimentos notáveis se bem encaminhadas e participar ativamente sem constrangimentos provocados pela Surdez.
É escolher em deixar de
viver dentro duma redoma de vidro para uma imensidão sonora e vibrante, é
deliciar-se em ouvir o mundo aloucado e não aquele ventre de décadas aprisionada
numa bolha silenciosa. É ter escutado a minha alma suspirar por sons e ter
escolhido esta maravilhosa jornada, a de transformação e descobertas. É ter
desejado sobretudo o impossível, e a vontade foi grande como as estrelas que
ele chegou de mansinho e então a activação do meu IC aconteceu arregalada com
uma expressão de Alberto Caeiro, senti de novo criança no corpo de adulta e
tudo ao redor mudou drasticamente para melhor nos primeiros sons, nas primeiras
palavras e frases.
Foi relembrar o quanto em criança desejava saber como
soariam os sons, do simples beijo na bochecha, do vento que punha as folhas de
árvores dançar, do mar cujas ondas rebentavam no areal, das gaivotas grasnar à
beira do rio, enfim de conhecer as vozes da minha família e tudo muito mais.
Todavia o impensável persistia, e foi então que pela primeira vez atendi a
chamada da minha mãe no telemóvel, naquele preciso momento percebi o barulho do
carro a ecoar no meu ouvido implantado juntamente com o som da sua voz, tão
terna e suave dialogando “Então está tudo bem?” ao que respondi “Sim está e por
aí?”, de volta aquela voz acariciava tenuemente com a minha incredulidade
provocada pelo momento despedindo “Estamos quase a chegar, até já e beijinhos”
– fiquei por breve instante assombrada… e tão feliz com as lágrimas a escorrer
no meu rosto dialogando de novo nos meus botões “Não há mais silêncio na minha
vida!”.
E é isso, surda profunda desde os 18 meses de idade, aparelhada até aos 23 e implantada unilateral a aguardar o 2º IC noutro país, agora espera-me um enorme desafio pois estou prestes a emigrar e isso só foi possível porque sem dúvida alguma o IC deu-me uma grande liberdade de fazer escolhas ao longo da minha vida, desta vez com toda a segurança e ligada ao mundo sonoro! Por isso, sim como a Lak Lobato do "Desculpe, Não ouvi!" disse, eu amo o Implante Coclear!