sábado, 25 de fevereiro de 2012

25 de Fevereiro - Dia Internacional do Implante Coclear

Para quem não sabe, hoje dia 25 de Fevereiro comemora-se o Dia Internacional do Implante Coclear - a história do OUVIDO BIÓNICO começou há 55 anos no país de origem, em França através dos médicos Andre Djourno e Charles Eyriés com o monocanal, um fio espiral de apenas 3/4 electródos.
 
Só muito mais tarde, nos anos 70 Graeme Clark descobriu uma maneira de ampliar ainda mais, foi através de um búzio que tem forma de uma cóclea do ouvido humano, para a inserção dos 22 eléctrodos num só fio.

Parece à luz da actualidade uma tecnologia recente para muita gente, por ser de natureza delicada e também tão ausente na maior parte do tempo nas diversas formas de divulgação ao serviço da saúde e das comunicações sociais no nosso país. No entanto, existem mais de 200.000 pessoas no mundo que usam este milagroso dispositivo capaz de fornecer o máximo dos sons quanto uma pessoa ouvinte.

Muitos anos se passaram, e a tecnologia biónica foi sendo cada vez mais aperfeiçoada, mais precisos e com suportes de equipamento compactos, resistentes e reduzidos, primeiro era do tamanho de uma pasta, e a seguir com os centímetros dos antigos Walkies e agora são como as típicas próteses auditivas com o processador de fala pendurado na orelha e um dia como toda a tecnologia avança, técnicos e engenheiros, designers de produto e equipamento buscam outras soluções/invenções para facilitar a vida de um utilizador de Implante Coclear nas actividades mais exigentes. 

Um dia pode ser apenas a bobina sem necessitar de processador externo, ou mesmo ser totalmente implantável para que todos possam descontrair, divertirem, e abusar de actividades extremas, ser totalmente à prova de água como o Neptune da Advanced Bionics por exemplo.

É com orgulho que comemoro este dia, sonoramente com muitos sons e muito cresci/aprendi com ele com as suas estrelas sonoras banhar em mim! Feliz dia a todos os implantados!  


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

FUI ALVO DE ESTUDO

No ano anterior, no final de 2011, houve uma noite em que a insónia bateu à minha porta e madruguei sem dormir, decidi navegar no mundo louco da internet, e de lá descobri que o meu “Sou uma Cyborg – Ouvido Implantado” foi alvo de estudo, para dizer a verdade: EU FUI ALVO DE ESTUDO - de uma TCC pela suposta antropóloga Thayana. 

A mesma sequer me enviou um respeitoso e-mail electrónico a pedir autorização para caso estiver interessada em participar ou que uma citação minha fosse publicada no seu trabalho, se bem que este blogue está expressamente proibido e interdito de copiar, reproduzir, modificar, exibir, transmitir para fins comerciais e académicos textos meus para qualquer propósito. Estes direitos autorais reservados foram violados, por outras palavras fui violentamente plagiada. 

É na verdade, um acto repugnante vindo de alguém que considera ser Antropóloga e tenta infalivelmente conquistar a sua posição junto dos galardões da Ciência e Cultura baseado nas sortidas fases do método evolutivo, no espaço e no tempo onde a esfera de investigação é tão ampla abrindo uma sinapse de uma sub-cultura dentro da própria Cultura. 

Então vou abrir a brecha, sendo a antropologia considerada uma ciência social, portanto os antropológicos estudam a diversidade cultural a partir das múltiplas manifestações sociais através das vivências de determinado grupo de indivíduos. A Surdez. A Cultura Surda. O mundo Ouvinte. A Língua Gestual. Os Implantes Cocleares. Os Deficientes Auditivos Oralistas. A Diversidade que reside no interior do universo homogéneo da Surdez cuja discussão não tem fim à vista. Uns trocam palavras acesas, uns contam milhentos disparates com a língua do gato mal afinada, fúrias desnecessárias admitidas por parte de quem as defende e de quem discorda. 

Situações, estas para mim absurdamente familiares na minha parede de honra no culminar de inúmeras revelações para afim decidir estereotipar o verdadeiro significado da Surdez enquanto identidade. STOP. Surdez e Identidade são duas coisas completamente diferentes que nada advêm pertencer de uma assentada nesta sub-cultura da Comunidade Surda.  

Ninguém, nem mesmo mestres doutorados da linguística, de sociologia, de psicologia e estudantes podem impor claramente indivíduos que não incumbem nesta categoria da mesma forma que não tem nenhuma razão de nos rotular como indivíduos com falta de identidade a um direito que nos assiste desde sempre: de sermos deficientes auditivos falantes e por opção individual apercebermos que as Próteses Auditivas já não eram suficientemente fortes para os ouvidos, e queiramos melhorar a qualidade de vida mediante o apoio de uma tecnologia avançada ao serviço do ser-humano, a biónica, permitindo muita gente ouvir minimizando impactos cujas dificuldades poderiam ser desmesuradas neste mundo selvagem que fervilha em cada recanto áreas extremamente competitivas. E a nossa identidade não é transformada no momento em que os nossos Implantes Cocleares foram activados, a Identidade por si mesma é apenas uma pequena alçada momentânea, moldada através de experiências sociais com as quais fomos confrontados desde o primeiro choro até aos dias actuais. E sem dúvida que este tema ainda dava para pano e mangas!