Eram 04h40 da manhã quando senti o telemóvel a vibrar sibilante, estava escuro como breu lá fora e o sol não germinara por enquanto, fui tomar um banho quente relaxante à pressa pois às cinco tinha de me pôr a caminho de Lisboa sem demoras. O Alfa-Pendular velava a minha chegada na estação das partidas, dos destinos cujo mapa traçado estaria naquela estrada, não um caminho de alcatrão, mas sim de linhas férreas em que muitas histórias começam a ser escritas. São inícios, recomeços e por vezes o fim.
Estas linhas aromatizam a continuidade da minha jornada, já passaram mais de três anos desde aquele dia em que fiz a cirurgia, a famosa implantação do diapositivo coclear, mais tarde embutido em mim durante um mês até ao dia da activação e não estou nem desejosa de o ver chegar ao desfecho. Ainda me falta muito, preciso de renascer a cada reajuste realizado, a cada conquista soberba e por isso a trajectória progride infatigável.
É sempre um prazer avistar colinas cobertas de gelo no horizonte amarelo acinzentado e ouvir o vento a chocar na monstruosa máquina de velocidade, as vozes dos ocupantes agarrados aos telemóveis, o retinir dos vidros duplos, o altifalante a anunciar estações, o ressonar afadigado dos que dormem, as músicas de jazz que ouço no meu telemóvel fechando os olhos, apreciando cada melodia, timbre com intervalos. Sons. Amo ouvir estes sons tão próprios e específicos, envolventes na minha vida e não consigo imaginar agora sem viver com este renovado sentido. Tão cheio de ternura!
Estas linhas aromatizam a continuidade da minha jornada, já passaram mais de três anos desde aquele dia em que fiz a cirurgia, a famosa implantação do diapositivo coclear, mais tarde embutido em mim durante um mês até ao dia da activação e não estou nem desejosa de o ver chegar ao desfecho. Ainda me falta muito, preciso de renascer a cada reajuste realizado, a cada conquista soberba e por isso a trajectória progride infatigável.
É sempre um prazer avistar colinas cobertas de gelo no horizonte amarelo acinzentado e ouvir o vento a chocar na monstruosa máquina de velocidade, as vozes dos ocupantes agarrados aos telemóveis, o retinir dos vidros duplos, o altifalante a anunciar estações, o ressonar afadigado dos que dormem, as músicas de jazz que ouço no meu telemóvel fechando os olhos, apreciando cada melodia, timbre com intervalos. Sons. Amo ouvir estes sons tão próprios e específicos, envolventes na minha vida e não consigo imaginar agora sem viver com este renovado sentido. Tão cheio de ternura!
Finalmente, pisei Coimbra debaixo de uma túnica de nuvens frias, o disfarce perfeito da cidade, parecia o fim do mundo com o céu sombrio e ensopado de humidade, Coimbra só é assim pela manhã sempre inconstante nas várias estações do dia, lenta a despertar do sono entorpecido na cachoeira dos transportes públicos.
(continua)

3 comentários:
Oláaaa!
Consigo imaginar e sentir a tua viagem pelas palavras aqui deixadas no teu regresso a Coimbra! Uauu
Beijinhos,
Lovely Sound
Lovely Sound,
Às vezes faltam palavras para agradecer tamanho conforto de partilha, tu a meu lado e eu no teu, sempre juntas como o resto dos nossos companheiros cocleantes e aparelhados ou mesmo ouvintes.
Anseio por notícias tuas, do novo reajuste, e saber se estás de facto bem!!!
Um abraço tremendo!
Sun
coimbra... essa cidade!
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