quarta-feira, 29 de abril de 2009

Registo


Desci uma série de degraus, e em seguida virei à direita percorrendo um vasto corredor que dá acesso ao Bar, penetrei o interior do templo artístico trivial e caminho até ao balcão, a empregada olha-me e sorri. Digo, boa tarde queria uma sandes mista, e um... vira-me de costas muito antes de terminar o pedido. Observo-a, de luvas calçadas nas mãos, cabelo apanhado e pele morena.

Num ápice repousa a sandes num prato quadrangular, e ali disparo com o queria também o néctar de pêssego, e do meu bolso uma moeda cai tilintante, neste mesmo instante em que viro o rosto abaixando-me abruptamente de modo conseguir apanha-la antes de rolar e esconder-se debaixo da mesa de vidro. Ouço uma palavra, uma pergunta audível destapada suavemente no córtex da minha memória auditiva: "fresco?"

Recito: "não, é natural".

3 comentários:

Anónimo disse...

Olha que fresco saberia melhor...
Bj
PMJ

Lak disse...

Que lindo... cada barulho descrito. Fecho os olhos e só imagino.
Mas, por saber o que vc deve estar sentido (num vislumbre distante) fico emocionada de imaginar. Que delicia. Cada som deve ser um milagre...
Beijinhos
Lak

Sara disse...

Logo que vi este post sabes o que lembrei? PEACH :D

Com o tempo a gente vai percebendo aos poucos as palavras sem os olhos e apenas o som :)