O dia anoitecera, era altura de se meter a caminho para casa e o percurso tão habitual tornou-se uma verdadeira rotina quase diária debaixo dos céus cinzentos que chuviscava as famosas gotas de prata no exterior do comboio branco e azul.
Peguei numas folhas impressas escondidas no bloco do meu e-book, pedaços de textos sobre Gestão e Sociedade, deu-me uma vontade macabra de iniciar a leitura, assim fiz com toda a naturalidade. Havia um homem sentado à minha frente, aparentava ter mais de 50 anos, cabelos grisalhos e de óculos a teclar no seu touch screen com tamanha precisão e facilidade.
O telemóvel do Senhor começou a tocar, nem sequer levitei a visão, na realidade tento evitar dar muita importância a este acto agora automático, recusar em olhar para exercitar o meu ouvido implantado.
"Tou?"
"Estou?"
"Sim? Olha, não consigo ouvir-te!"
Desligou.
2 comentários:
Apanhado em rede alheia.
Bela ironia no registo - gostei!
Blogadinha,
É tão bom, não depender unicamente por um tempo da leitura labial, nesta altura presenteio a verdadeira normalidade. :)
Beijo
Sun Melody
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