quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Quando a Pilha Acaba


A primeira regra de uma pessoa implantada, muito antes de sair de casa é verificar sempre e obrigatoriamente se levamos connosco um pack de 6 pilhas, não vá depois o mundo silenciar a cada minuto adicional quando numa noite de grande convívio com pouca luz o meu processador de fala emitiu três suaves apitos agudos anunciando a escassez de energia das pilhas e dentro da minha cabeça fez-se um ecoar silencioso repugnante.

Da canção para o silêncio, auxiliei-me na leitura labial, mas ela tornou-se uma natureza verdadeiramente insuportável. Ciente do desconforto, do cansaço que seria em olhar de boca para boca, todas elas com simetrias diferenciadas cujas palavras me parecem iguais.

Alberguei no universo tão fora do contexto, eu e o silêncio dentro da mesma redoma de vidro, bolas já não me recordava como era ficar sem ouvir, humilhada pelo meu esquecimento comecei a sentir repulsa, apesar de saber que foi uma reacção natural que ao estar sem ouvir é aperceber no fundo como a Surdez ainda pode exercer influência ao longo da minha vida, nem que seja por pequenos instantes diante de um botão que se liga e desliga.

3 comentários:

Z disse...

ai... como te entendo!!!!

eu ando com uma bolsinha cheia de pilhas (não apenas uma carteira com 6... eu ando com todas as que posso!) lol
morro de pavor, juro!

:D
beijinhos

Luz de Estrelas disse...

Porque ficaste privada dos sons que tanto amas.

Sun Melody disse...

Z,

Já somos as duas, mas pelo contrário não sou tão prevenida como tu, agora passo a ter mais atenção.

Luz de Estrelas,

Nem mais.