quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Ida a Coimbra I


Coimbra brindou-nos á chegada, uma geada de correntes de ar fundidas de gelo num líquido de água em que o sol tornava a nascer na enseada do Mondego. Uma paisagem de cortar a respiração e os sons que ouvi era apenas o vento muito agressivo, queimando os nossos rostos, apertamos o casaco acompanhado por cachecóis coloridos. Fomos ao bar da estação beber um café quente antes de apanharmos o Táxi, ali á frente logo após a saída da Estação Coimbra-B.

Que frio, mais gelado que Lisboa.

Foi rápido, chegamos ao Hospital dos Covões em cinco minutos, até vencemos o taxímetro que não chegou a ultrapassar os 5€. Tive a impressão, de que efectivamente o dia seria diferente, horas mais tarde acabei por ter razão. Correu tudo pelo melhor.

Depois de marcar a presença na recepção, subimos para o 1º piso e aguardamos sentados, estava ali uma rapariga implantada que de vez enquanto observava-nos demoradamente... a mim e ao meu namorado, parecia-me nova e usava o MED-EL preto, ficava-lhe bem com a cor do seu cabelo, um loiro dourado.

E de relance surge a Terapeuta de Fala de sorriso aberto, com os seus olhos tão azuis como a cor do céu e do mar dizendo "bom dia" e um "aguarda só um momento que já volto a chamá-la". Assim foi, minutos depois, veio ter connosco para mais um teste ás minhas capacidades cognitivas, mais uma prova desgastante, e novamente os nervos regressaram em mim.

Lá apresentei os resultados descritos numa folha de papel, anotações de treinos que fiz em casa com a família. È certo, torceu o nariz, no entando expliquei-lhe a minha aparente dificuldade de entender vozes mais graves, se era normal?

Segundo ela, sim é, ensurdeci antes do tempo de prevalecer a memória auditiva e por isso o meu cerebro não reconhece. Apenas necessito treinar bastante, para afim criar uma sintexe da memória em relação aos sons das palavras.

Lá recomeçamos as vogais, aparentamente piorou no entanto em outras letras teve uma melhoria significativa, após tantas tentativas não conseguia acertar ou fazia-me confusão pois as letras eram-me quase semelhantes. Parecidas. Estranhou... e disse, que ia falar com o Técnico JP para dar uma melhoria de reajuste. ok. Aguardei na sala.

A porta quase entreaberta, num gesto chamou-me, lá seguimos para a Sala de Afinações, dar um retoque ao meu processador de fala, retirei o Implante Coclear do lugar e dei ao Técnico JP onde este ligara o meu aparelho a um cabo conectado ao computador, e a Terapeuta melhor que ninguém sabe onde exactamente focar o problema, pediu para separar determinadas frequências, os 2 dos 22 electrodos.

Já com o processador de fala ligado a mim, não notei nenhuma divergência, estava igual ao que ouvia antes. Regressamos a sala, e demos continuidade ao trabalho da Reabilitação, disse as respectivas letras de forma rápida, e acertei quase tudo, só errei umas 4.

(continuação)


2 comentários:

joana disse...

Olá , só hoje estou no pc da escola, com a eli.

obrigada pela visita e pelo comentario .

Beijinhos

Joana

*** estamos a pensar que seria muito bom vires um dia fazer-nos uma visita. queres pensar nisso? a eli vai escrever-te, logo que tenha tempo.

(*_*) da eli

oliviacastrocranwell disse...

Oi Sun, enquanto você está com o nariz gelado, eu estou assando-me de calor. Estamos na outra ponta do mondo.

Eu fico impressionada ao ver como você consegue discriminar palabras sem ter escutado desde tão pequena. Imagino muito bem o cansanço que isso produz porque, de outra forma, as vezes eu tambem o sinto.

Tambem é impressionante de ver o importante que é a calibração, isso me assusta as vezes, de pensar que podería estar escutando melhor. A gente fica nas mãos do conhecimento e intuição dos profissionais. Estou muito feliz de saber que a calibração melhorou, será menos esforço pra você e tambem poderá disfrutar do seu novo mundo sonoro com mais tranquilidade. Parabéns, você é uma mulher muito lutadora. Fico torcendo por você

Un bisou