sábado, 18 de outubro de 2008

Música Baixa


Não podia deixar este dia em branco, porque qualquer palavra ou vestígios de memória poderia ser esquecido para sempre. Não deixo, jamais permitia que acontecesse e devo registar todos os acasos sonoros do meu inseparável confidente coclear.

A noite esfriou-se com o vento de braço dado, beijando a avenida que parecia mais pequena e quase deserta. Fiquei encharcada de frio e corri para dentro do carro, abrigar-me do ar gélido repentino e o calor começou a assolapar-me pelo corpo, foi então que comecei a ouvir uma música qualquer. Parecia impossível. Não havia ninguém na avenida. Mesmo assim escutava baixinho a uns 20 metros da Sociedade Filarmónica União Seixalense. Era isso. A música vinha dali.

Há uma primeira vez para tudo, e esta foi a primeira que ouvi baixinho seguindo a melodia dentro do carro, de janela semi-aberta diante do horizonte melodioso.

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