sábado, 5 de julho de 2008

Dormir com o Implante Coclear


Os eléctrodos comigo, não terão descanso e ontem foi a segunda noite que dormi com o implante coclear activado, posso afirmar sem hesitações, dormi que nem criança ao som da brisa, dos lençóis estendidos na corda a dançar em compasso e batiam nos quadrados brancos do estore na cozinha.

Já mergulhada no sono profundo, a música dos latidos caninos apaixonados abastecia a energia eléctrica ao meu nervo auditivo, doces cócegas irreverentes, pequenas células despertas encheram-me de sensações auditivas que me fez acordar às seis da manhã.

Pestanejo várias vezes na escuridão do quarto, concentrada aos sons em redor, senti ternamente envolvida no clausulo melodioso, no barulhar dos veículos a uma distância soberba, dos passos nas escadas que chiavam dentro do prédio.

Nada é como antes e não existe mais silêncio.

2 comentários:

num relance disse...

"nada é como antes"

o poder da transformação, da adaptação, do reencontrar a vida, do fazer-se à estrada em novos caminhos, e pelo caminho dar-se a novas descobertas, isso é vida no pleno, o jackpot das sensações

e passar para a escrita nessa forma que partilha e cativa, isso é dádiva

obrigado

reb disse...

como o relance, eu agradeço a tua partilha...
parece um renascimento, faz-me lembrar alturas da minha vida em que tive que renascer ( como a cobra que deixa a pele antiga para trás)

um aspecto interessante: o silêncio para ti é sentido de uma forma diferente do que é para alguém que sempre ouviu...