
Sim ou Não? Eis a questão, não sei se o meu segundo ouvido (o direito) reúne condições adequadas para a implementação intra-coclear. Para já aguardo que chegue sexta-feira, depois saberei se é possível... agora estou sem expectativas.


A noite caiu, com ele o vento limpou o céu nublado para dar lugar a uma vista imponente, de estrelas onde estive deitada respirando a frescura campestre sob relva observando o firmamento e é impressionante o silêncio que se fez perscrutar, senão ervas daninhas a abanar, os grilos cantar e murmúrios bizarros. O Sino. Os ladrares noctívagos, a respiração canina a meu lado, o som das lambedelas e o glup glup glup da ponta lingueta e coberta de baba enfiada no interior da tigela metálica. O comboio passar no sopé da montanha, a melodia das rolas brancas, e os meus simples movimentos de colher a areia da terra na palma da mão...
Passei tardes e horas a tirar fotografias através da máquina digital, semi-profissional. No dia seguinte acaba-se o descanso, hoje portanto, atirei-me para a estrada da IC8 rumo a Coimbra. E assim, estou eu, instalada confortavelmente neste pequeno e moderno apartamento do meu primo que se encontra fora profissionalmente. Almocei. Vi metade da cidade. Continua a ter o mesmo encanto!
Amanhã, é o dia.

Vejo o processador de fala embrulhado de seda acima da cómoda, e a minha desastrada irmã com a cabeça na lua agarrou no telemóvel, e também, crer no cabo do processador duma só vez sem olhar para o dito… avisto-o a dar uma monumental queda acrobática de 140 cm, o meu coração pára!
A A. cheia de medo olhou para o chão apavorada, o meu lindo processador de fala no pavimento, pegou nele dando uns passos devagarinho à minha frente pronunciando um “desculpa mana, não reparei…” só fui capaz de respirar fundo… 1… 2… 3… 4… respira, expira e respira novamente, cuspi o ar lentamente e voltei a contar pois a minha vontade era gritar em cima dela “Porra, vê se abres os olhos e tenhas mais cuidado!!!”
Liguei o processador de fala em mim, nada partido, sem anomalias, está perfeito. Uffa! Tenho de arranjar um cofre seguro, está visto.