
Ainda planeei apanhar a camioneta em vez do Táxi, houve qualquer coisa e por via das dúvidas não arrisquei, segui no Táxi cambaleando o passeio defeituoso e o sol aureolava o centro de Coimbra.
Consumi e embebi a paisagem como a da primeira vez, e o veículo de repente vira a um atalho incógnito, tenho os sentidos em vigilância e fico a pensar “Queres ver que o taxista percebeu mal?!” não digo nada ainda, não antes de ter a certeza, enxergo o caminho e reconheço a ponte acolá na via-rápida. Está cortada e em obras. Alivio-me na alcatifa dividida em dois sentidos onde passam camiões gigantes carregados de pedras às costas. Pó, muita poeirada ergue á nossa frente. Rotundas. Curvas. Cheguei e os pássaros pipilam dedicando-me uma linda sinfonia.
Na entrada do Edifício, vejo uma família, o pai, a mãe, o irmão e o mais novo de três anos bi-implantado, um processador de fala em cada orelha, fica tão giro assim. Um mimo. Ascendi degraus e deparei na extensão um senhor ouvinte que aguardava a consulta.
Reconheço o grito de criança dentro da sala ao longe, a aprender ouvir no brotar das primeiras palavras ensinadas. E quando as duas mãos se unem á palmatoada é o triunfo da conquista, mãos juntas, um punhado de sons iguais, repetidos em estilo.
Encanta-me.
Apoiada de costas na parede, vejo a terapeuta e um rapazinho loiro, de olhos azuis, parece-me ter 2 anos a sair do recinto terapêutico de mãos dadas com o progenitor, a mãe visivelmente confusa esconde no sorriso o sofrimento, a culpa encravada por o seu filho ter nascido sem audição. Acusa-me com o olhar mais patético que existe, de desprezo e inveja. A frialdade humana levou-a enfrentar as circunstâncias, zangada com a vida, e sobretudo consigo própria.
Não resisti, disse bom dia no esboçar do riso. Mirou-me furiosamente, morta em expressões.
Engoli em seco. Perplexa por ainda não se ter entregado á redenção.







