terça-feira, 14 de outubro de 2008

Conquista Sonora de Prata


Já a caminho para a casa nesta tarde quente, imprevísivel ás certezas metereológicas captei auditivamente o altifalante do comboio: Próxima Estação Pragal.

Sempre a crescer, e cada conquista é de prata.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Blog em Destaque


No Jornal da Madeira (datado em 2008-10-07) - clicar aqui - só vim a descobrir hoje. Espero muito sinceramente que este Blog partilhe mundos e possam abrir portas a alguém, quem sabe um dia aventurar-se nesta grande viagem de redescobertas sonoras.

Reajuste Marcado


Irei novamente a Coimbra com a Sara para um novo reajuste agendado no dia 27 de Outubro, logo de manhã ás 09h e a seguir tenho uma consulta com a finalidade de conhecer melhor o médico Dr.L, pois a Dra.S foi colocada noutra especialidade e já não faz parte da secção dos implantados para minha tristeza.

Assim aproveito, pedir uma prescrição médica de modo adquirir o sistema FM que com a base dos três orçamentos encaminharei os documentos necessários á Segurança Social, e aguardar uns meses... vou rezar.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Metro Agitado


O enredo confuso no saco de vozes humanas, o ferrar da linha metropolitana, os beeps agudos das portas de carruagem a fechar e reabrir em cada paragem, em cada estação onde acabariam por entrar mais vozes e cheiros de perfume, de tabaco e cremes. Um baile de ruídos e aromas excêntricos, sem igual e os telemóveis a tocar o tempo todo.

Rio-me para dentro, é tão mas tão bom escutar os embaraços insignificantes, ouço lentamente, saboreio todos os sons um a um, dissemelhantes aos anteriores, mal a porta reabriu um cego de bengala entrara com o seu tinir do copo de lata a pedir caridade cada vez que o bastão comprido batia em seco o pavimento.

Espirros repetidos, tosses, o assoar remexido por mãos frenéticas e o altifalante anuncia a próxima estação: Marquês de Pombal nítida e claramente perceptível. A minha vida já não é a mesma, tudo mudou... e gosto dela assim.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Latidos Roucos


A trabalhar que nem uma louca ontem, por querer melhorar a minha performance de freelancer perdi o sono, a noção das horas e aplaudia as teclas continuamente, sempre, com o portátil repleto de marcas dos meus dedos no teclado acima das pernas cruzadas.

Cativo e movo a linguagem das propriedades artísticas e lá fora os cães ladram a fio, minuto a minuto, ora param e recomeçam com a mesma determinação e persistência. Habituada ás repetidas sonoridades caninas, cheguei a um ponto de assimilar os latidos sólidos a imersos, engolidos numa depressão profunda de roncadura.

Estavam roucos! Dei por eles na madrugada. Que máximo!!!!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Discoteca, não.


Uma amiga minha e colega da jornada coclear convidou-me para ir a uma discoteca com os camaradas na passada sexta-feira, o desafio era atraente e apetitoso. Inicialmente disse que ia, mas depois de considerar melhor, hesitei perante um receio acompanhado de terror.

Que horror, não acredito! Neguei as palavras pragmáticas dentro de mim, um cheiro ácido e cruel chamado pânico, tremia de medo só de pensar em entrar á porta da Discoteca com luzes a rodopiar cegando a minha visão e ouvir de madrugada a música berrante que nem um megafone junto ao meu ouvido implantado. Nem pensar, não me sinto preparada.

Antes quando usava as próteses auditivas, delirava dançando junto das colunas gigantes que através da vibração no solo de madeira ritmava como se não houvesse amanhã. A melodia entrava em mim, mas não do mesmo modo de agora.

Actualmente posso sentir a melopeia, a alma do timbre cândido onde alugares encontro um lugar doce e suave, e a música não dorme, está por toda a parte até mesmo na matemática das coisas, nos passos sapateados, nas vozes, nas gotas de chuva. Tudo é som.

Tenho medo. Um medo tão natural e comum do som em bruto da discoteca. Um dia irei, não agora.

sábado, 4 de outubro de 2008

A Canção de uma Música


Os Argonautas


O barco, meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração, o porto, não

Navegar é preciso, viver não é preciso
Navegar é preciso, viver não é preciso

O barco, noite no céu tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco, da madrugada
O porto, nada

Navegar é preciso, viver não é preciso
Navegar é preciso, viver não é preciso

O barco, o automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto silêncio

Navegar é preciso, viver não é preciso
Navegar é preciso, viver não é preciso

Caetano Veloso

14

Photo by Sun Melody


14 meses de activada


O tempo voa e sou feliz assim. O meu mundo agora é extremamente ruidoso, enquanto teclo ouço o barulho de um aspirador vivaço na vizinha do lado. Não rejeito de certa maneira o processador de fala, tornou-se naturalmente o meu novo ouvido, faz parte de mim.


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Buzinadela Crónica


Meio ensonada, sentada diante da mesa dentro do compartimento envelhecido, banhado de azulejos azuis com as janelas de varanda arqueadas abertas... atentos ao tema da conversa deveras interessante que envolve o Homem e Máquina.

Por aí tudo bem, se não fosse a chata da buzina insistente e enfadonha a apitar com fealdade durante uns fantásticos 10 minutos, nem mesmo as janelas propositadamente fechadas safei...

RAIO DE BUZINA

Estou com uma dorzinha malandra da cabeça - depois dizem-me que sou Surda.