
Uma
amiga minha e colega da jornada coclear convidou-me para ir a uma discoteca com os camaradas na passada sexta-feira, o desafio era atraente e apetitoso. Inicialmente disse que ia, mas depois de considerar melhor, hesitei perante um receio acompanhado de terror.
Que horror, não acredito! Neguei as palavras pragmáticas dentro de mim, um cheiro ácido e cruel chamado pânico, tremia de medo só de pensar em entrar á porta da Discoteca com luzes a rodopiar cegando a minha visão e ouvir de madrugada a música berrante que nem um megafone junto ao meu ouvido implantado. Nem pensar, não me sinto preparada.
Antes quando usava as próteses auditivas, delirava dançando junto das colunas gigantes que através da vibração no solo de madeira ritmava como se não houvesse amanhã. A melodia entrava em mim, mas não do mesmo modo de agora.
Actualmente posso sentir a melopeia, a alma do timbre cândido onde alugares encontro um lugar doce e suave, e a música não dorme, está por toda a parte até mesmo na matemática das coisas, nos passos sapateados, nas vozes, nas gotas de chuva. Tudo é som.
Tenho medo. Um medo tão natural e comum do som em bruto da discoteca. Um dia irei, não agora.