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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Agora

Autor(a) Lunablu

O meu ouvido desperta, música adentro de forma sublime no sussurro saxofonista dessa incrível habilidade. O teu sopro transformado em canção de notas. Encanto, serenidade e delicadeza. Ouço. Escuto. Memorizo. Graves. Agudos. Intermédios.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Estou a Chegar


Coimbra á vista, e como havia de ser em dia de chuva por isso mesmo não deixa de ser mágico, espero sair de lá com o dever cumprido.

Acima de tudo, abraçar e sentir os aromas do Mondego. Só mais um dia Coimbra, beijo as tuas palavras e todos os sons que existem em ti, ó bela cidade!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Ouvir Bionicamente


(Photo by Sun Melody)

Tic tac tic tac, um relógio antigo pendurado na parede de azulejos esfriados faz este barulho e recorda-me a emoção de ouvir este tic tac tic tac genuinamente infantil aos olhos de uma criança. È engraçado este timbre quase associado a uma nota musical de um instrumento ligeiramente suspenso na intemporalidade e me fez pensar que milagre foi este, a de puder escutar novamente.

E é tão bom.

O vento lá fora, cada vez mais forte embebendo a tarde imaculada e solarenga de folhas soltas ensopadas ao meu olhar, de encantamento, o meu novo ouvido implantado a bailar em todos os segundos e minutos na dança das folhas. Pura música. A melodia da Natureza. O som do vento e o tic tac tic tac metálico do relógio envelhecido.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Palavras e Telemóvel


Digitalizo essas palavras ao som da música “Amanda – Aisha Duo” de Jazz, onde por sinal gosto da melodia, da entoação e percebo como me acalma bastante enquanto trabalho estimulando o nervo auditivo sem qualquer mínimo de esforço.

Estou há mais de um ano neste caminho interminável, sem fim e espero continuar nesta empreitada cavalgando estradas e lugares diferentes, dia após dia ao volante do processador de fala em busca de sons e discriminações auditivas atravessando o mundo á pé.

Procuro. Encontro. Descubro. Vibro em cada conquista. Guardo para dentro de mim, que percorrem como borboletas procurando quem sou através das mudanças sonoras, o meu silêncio já não é silêncio de oiro. Mudou como as pessoas que mudam a maneira de pensar e sentir das coisas em que o mundo lhes oferece.

Conduzo de olhos fechados. O processador de fala guia-me, ruído a ruído, palavra a palavra, melodia a melodia e tudo em mim é música, apenas música crua e verdadeira, capazes de me devolver o calor da vida, o seu sentido e significado em tempestades de gelo que fazem doer os ossos.

No entanto, o amor das palavras existem, reconhecer a voz de alguém familiar por detrás do telemóvel que toca desenfreado e cheio de pressa de ser atendido, ouvir um “olá” alegre aliado a uma preocupação crescente do “está tudo bem?”.

E a minha resposta entregue do “sim, está tudo em ordem e por aí”, novamente a voz do outro lado sussurra ao meu ouvido implantado ténue e aguda do “também está tudo bem”, e então fala-me uma frase comprida mas eu não percebi desta vez porque havia muito ruído de fundo naquele lugar. Mas que lugar era esse? Desconheço. Não cheguei a saber.

A frase é repetida, continuo a não entender e desanimo um pouco, não devia ser difícil de aprender a ouvir, questionei. À terceira com mais calma, noto que ela saiu do ambiente ruidoso e consigo escutar claramente o “passa ao acorrentado”, fez-se luz e reafirmo o que ouvi “passo ao acorrentado?”, a voz sobressai o “sim”. Wow!

Cheguei á conclusão, que mesmo lentamente chegarei ao destino - vitoriosa.

Foi o que aconteceu ontem, no entardecer em que a chuva se avizinhava na espreita do céu cinzento-escuro, triste e deprimido. As nuvens pareciam ter um mapa escondido, a dos sons e palavras soletradas.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Queda Levantada


Já passou. Mandei a tristeza ir-se embora, no entanto a exigência permanece, não consigo actuar de outra maneira. È uma característica minha, profundamente enraizado desde os tempos da infância em que tive de crescer depressa, á velocidade da luz.

Daqui nada irei abarcar numa experiência inovadora, tocar flauta ao som do Yellow Submarine, partir á descoberta das pautas, das claves de sol e notas no dó-ré-mi-fá-sol-lá-si.

Abraçar todos os sons e tesouros melodiosos.

sábado, 18 de outubro de 2008

Música Baixa


Não podia deixar este dia em branco, porque qualquer palavra ou vestígios de memória poderia ser esquecido para sempre. Não deixo, jamais permitia que acontecesse e devo registar todos os acasos sonoros do meu inseparável confidente coclear.

A noite esfriou-se com o vento de braço dado, beijando a avenida que parecia mais pequena e quase deserta. Fiquei encharcada de frio e corri para dentro do carro, abrigar-me do ar gélido repentino e o calor começou a assolapar-me pelo corpo, foi então que comecei a ouvir uma música qualquer. Parecia impossível. Não havia ninguém na avenida. Mesmo assim escutava baixinho a uns 20 metros da Sociedade Filarmónica União Seixalense. Era isso. A música vinha dali.

Há uma primeira vez para tudo, e esta foi a primeira que ouvi baixinho seguindo a melodia dentro do carro, de janela semi-aberta diante do horizonte melodioso.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Conquista Sonora de Prata


Já a caminho para a casa nesta tarde quente, imprevísivel ás certezas metereológicas captei auditivamente o altifalante do comboio: Próxima Estação Pragal.

Sempre a crescer, e cada conquista é de prata.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Metro Agitado


O enredo confuso no saco de vozes humanas, o ferrar da linha metropolitana, os beeps agudos das portas de carruagem a fechar e reabrir em cada paragem, em cada estação onde acabariam por entrar mais vozes e cheiros de perfume, de tabaco e cremes. Um baile de ruídos e aromas excêntricos, sem igual e os telemóveis a tocar o tempo todo.

Rio-me para dentro, é tão mas tão bom escutar os embaraços insignificantes, ouço lentamente, saboreio todos os sons um a um, dissemelhantes aos anteriores, mal a porta reabriu um cego de bengala entrara com o seu tinir do copo de lata a pedir caridade cada vez que o bastão comprido batia em seco o pavimento.

Espirros repetidos, tosses, o assoar remexido por mãos frenéticas e o altifalante anuncia a próxima estação: Marquês de Pombal nítida e claramente perceptível. A minha vida já não é a mesma, tudo mudou... e gosto dela assim.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Latidos Roucos


A trabalhar que nem uma louca ontem, por querer melhorar a minha performance de freelancer perdi o sono, a noção das horas e aplaudia as teclas continuamente, sempre, com o portátil repleto de marcas dos meus dedos no teclado acima das pernas cruzadas.

Cativo e movo a linguagem das propriedades artísticas e lá fora os cães ladram a fio, minuto a minuto, ora param e recomeçam com a mesma determinação e persistência. Habituada ás repetidas sonoridades caninas, cheguei a um ponto de assimilar os latidos sólidos a imersos, engolidos numa depressão profunda de roncadura.

Estavam roucos! Dei por eles na madrugada. Que máximo!!!!

sábado, 4 de outubro de 2008

A Canção de uma Música


Os Argonautas


O barco, meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração, o porto, não

Navegar é preciso, viver não é preciso
Navegar é preciso, viver não é preciso

O barco, noite no céu tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco, da madrugada
O porto, nada

Navegar é preciso, viver não é preciso
Navegar é preciso, viver não é preciso

O barco, o automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto silêncio

Navegar é preciso, viver não é preciso
Navegar é preciso, viver não é preciso

Caetano Veloso

14

Photo by Sun Melody


14 meses de activada


O tempo voa e sou feliz assim. O meu mundo agora é extremamente ruidoso, enquanto teclo ouço o barulho de um aspirador vivaço na vizinha do lado. Não rejeito de certa maneira o processador de fala, tornou-se naturalmente o meu novo ouvido, faz parte de mim.


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Buzinadela Crónica


Meio ensonada, sentada diante da mesa dentro do compartimento envelhecido, banhado de azulejos azuis com as janelas de varanda arqueadas abertas... atentos ao tema da conversa deveras interessante que envolve o Homem e Máquina.

Por aí tudo bem, se não fosse a chata da buzina insistente e enfadonha a apitar com fealdade durante uns fantásticos 10 minutos, nem mesmo as janelas propositadamente fechadas safei...

RAIO DE BUZINA

Estou com uma dorzinha malandra da cabeça - depois dizem-me que sou Surda.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Estação


Chegou o OUTONO, as gotas de chuva e os gritos das trovoadas - estar na cama e ouvir de lá fora o cair da chuva pela madrugada, a beber leitinho achocolatado - saboroso, quentinho e acolhedor com o meu novo portátil brilhante acima das minhas pernas cruzadas.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Descobertas nas Férias I

Deixei os dias passar, faltou aprontar certos registos durante o percurso das férias: as descobertas sonoras. Pois é, desleixei-me com o Sou uma Cyborg - Ouvido Implantado, ou melhor estive para borrifar. Tinha o exame ainda à porta apliquei como nunca, e fui merecedora em ter ganho um belo papo de olheiras na longa estadia deprimente. (supostamente para nada) - direi no próximo post.

Ainda por cima, enquanto descansava no paraíso verde recebi um telefonema de alguém, a propor um convite de honra irrecusável - onde já se viu uma coisa dessas, um doutor cujo rosto desconhecia por completo, soube a minha situação "pós-laboral" do antes e pós-Implante Coclear.

Claro, aceitei a pensar "bonito, bonito! Que mais pode vir abalar o meu mundo?" Escusado afirmar, andei numa pilha de nervos... 10, 20 ou mais pessoas a olhar e ouvir-me a falar pelo microfone com aquela barulhada colossal na Festa do Avante, em especial no Debate sobre as Tecnologias de Saúde ao serviço da Deficiência.

Bola para a frente, divulgação directa no Espaço da Ciência com diapositivos a serem exibidos no power point baseados no meu depoimento em todo o processo. Nessa altura, quis desligar-me de tudo, afastar dos livros e das canetas semi-vazias, mal sai da vazenda ouvia os sinos da igreja tocando. Era um som metálico, deu para diferenciar melhor, ali perto um ruído extenso aproximava da barreira-som a uns 2km, escutei a auto-estrada recheado de motores a sair disparatados, em alta velocidade.

Esteve por lá, também a fazer-me companhia em todos os entardeceres, andorinhas a cantar melodiosamente. Entretanto passei noites com o Implante Coclear activado, foi maravilhoso.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Pormenor do Pisca-Pisca


No suave e sedutor mês de Setembro, que mais parece Verão despede-nos com a ternura acriançada, os seus últimos raios solares na chegada do vizinho Outono. As tardes tornaram-se curtas e já escurece mais cedo, traz consigo correntes de ar aos moinhos, varrendo o chão as folhas tombadas por terra.

Presenciei esta tarde, dentro do carro em marcha e Setembro deveria ser imortalizado pela sua beleza natural. E é então que ouço o pisca-pisca, um som vulgar e analógico "pic pic pic" e apercebi desta vez a intensidade do som, ouço agora muito mais alto em relação ao ano anterior.

Será?

Provavelmente, é capaz.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Grilos


A noite batia um duelo silencioso, a ausência de ruído incomodava ao ponto de chocar contra os meus sentidos sem piedade. O meu silêncio é diferente daqueles que ouvem, para mim é uma privatização sensorial, o abismo absoluto e atribulado numa tempestade sem fim.

Tinha o Implante Coclear ligado, mesmo assim não ouvia nenhum burburinho em redor, apenas escuridão entre as brumas do calor suado, a mistura de odores pairava no ar, um perfume salgado e bronzeador dentro do quarto. A janela aberta. O silêncio era igual ao anterior, demasiado silencioso e quieto.

Não conseguia fechar os olhos, andei às voltas na cama que com o movimento do meu corpo, acariciando suavemente o lençol, os sons incendiaram-se cheios de energia e senti-lo dentro de mim, renasci.

Pouco a pouco, múltiplos ruídos surgiam como formigas, o ronronar pesado e ferrado dos três elementos da minha família mergulhados no sono profundo, uns mais leves e densos no acto de respirar.

Cerrei os olhos, só para escutar melhor, concentrei em tudo que pude, ouvia somente o bafo quente na infinita distância das suas bocas no vai e vem, o mundo lá fora iluminado por um poste de luz e me acordou, as estrelas brilhantes no alto do céu, cintilou a minha visão.

Levantei devagarinho sem acordar ninguém, dei quatro passos em direcção á janela aberta, mirei a bonita paisagem estrelar e o meu ouvido implantado apanhou uma frequência baixa e aguda, o que é? Parecem os grilos a cantar…

Fiquei arrebentada com a melodia, assim fiquei pela noite toda, ouvir esta grandiosidade.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Acaso Sonoro

Estive presente no Campeonato Nacional de Atletismo este fim de semana, vi atletas de renome mundial em acção para a qualificação aos Jogos de Pequim no complexo desportivo "A" internacional.

Houve muitas provas: Corrida de Barreiras, Corrida de Fundo, Corrida de Meio-fundo, Corrida de Velocidade, Lançamento do Dardo, Lançamento do Disco, Marcha Atlética, Obstáculos, Salto com Vara, Salto em Altura, Salto em Comprimento e Triplo Salto.

Tive a oportunidade de conhecer novos sons por mim então desconhecidos, é o caso da pistola ar, a queda de uma barreira, as palmadas aplicadas nos músculos dos membros inferiores, e um bailado de vozes deleitável numa viagem sem fim.


No entardecer, abraçei a vibração sonora do vento na intimidade de um sorriso.


Esta quarta-feira tenho uma consulta agendada, para uma melhoria do reajuste em relação ao anterior mapa, espero assim baixar os graves e dar amplitude ás frequências mais agudas de forma as vozes realçarem suavemente e transparente sem poeiras no meio da azafama de ouvir.


Mal posso esperar pelo renascimento em peso!

sábado, 12 de julho de 2008

Instante Sonoro

Ouve-se a minha mão a bater no peito de calor, e peguei numa revista que se encontrava dentro do cesto de palha, empilhado de crónicas, folheei-as uma a uma, e junto ao meu ouvido implantado entrou um som ténue, leve e suave.

Uma sensação auditiva de sopro, reconfortante e encantador ao virar a página.
São estes momentos em que penso, valeu realmente a pena fazer o Implante Coclear e conhecer todos os sons, em busca da última melodia.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Conquistas Sonoras

Dei uma volta na baía com a minha família, ao andar á beira do rio ouvi o bater de asas dos pombos em pleno voo, mais uma descoberta solta invadiu o meu interior mágico e esse som é tão banal para quem as ouve desde sempre.

De regresso a casa, acabei por ligar o computador e ouço a uns 20 metros, o espaço que separa o escritório da cozinha, um nítido ATCHIIIMM ecoado e contínuo, mas ponderado como ondas sonoras submersas no azul do mar.

Eu: “Santinho!”

Pai: “Obrigado”

sábado, 5 de julho de 2008

Dormir com o Implante Coclear


Os eléctrodos comigo, não terão descanso e ontem foi a segunda noite que dormi com o implante coclear activado, posso afirmar sem hesitações, dormi que nem criança ao som da brisa, dos lençóis estendidos na corda a dançar em compasso e batiam nos quadrados brancos do estore na cozinha.

Já mergulhada no sono profundo, a música dos latidos caninos apaixonados abastecia a energia eléctrica ao meu nervo auditivo, doces cócegas irreverentes, pequenas células despertas encheram-me de sensações auditivas que me fez acordar às seis da manhã.

Pestanejo várias vezes na escuridão do quarto, concentrada aos sons em redor, senti ternamente envolvida no clausulo melodioso, no barulhar dos veículos a uma distância soberba, dos passos nas escadas que chiavam dentro do prédio.

Nada é como antes e não existe mais silêncio.