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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Grilos


A noite batia um duelo silencioso, a ausência de ruído incomodava ao ponto de chocar contra os meus sentidos sem piedade. O meu silêncio é diferente daqueles que ouvem, para mim é uma privatização sensorial, o abismo absoluto e atribulado numa tempestade sem fim.

Tinha o Implante Coclear ligado, mesmo assim não ouvia nenhum burburinho em redor, apenas escuridão entre as brumas do calor suado, a mistura de odores pairava no ar, um perfume salgado e bronzeador dentro do quarto. A janela aberta. O silêncio era igual ao anterior, demasiado silencioso e quieto.

Não conseguia fechar os olhos, andei às voltas na cama que com o movimento do meu corpo, acariciando suavemente o lençol, os sons incendiaram-se cheios de energia e senti-lo dentro de mim, renasci.

Pouco a pouco, múltiplos ruídos surgiam como formigas, o ronronar pesado e ferrado dos três elementos da minha família mergulhados no sono profundo, uns mais leves e densos no acto de respirar.

Cerrei os olhos, só para escutar melhor, concentrei em tudo que pude, ouvia somente o bafo quente na infinita distância das suas bocas no vai e vem, o mundo lá fora iluminado por um poste de luz e me acordou, as estrelas brilhantes no alto do céu, cintilou a minha visão.

Levantei devagarinho sem acordar ninguém, dei quatro passos em direcção á janela aberta, mirei a bonita paisagem estrelar e o meu ouvido implantado apanhou uma frequência baixa e aguda, o que é? Parecem os grilos a cantar…

Fiquei arrebentada com a melodia, assim fiquei pela noite toda, ouvir esta grandiosidade.

Surpresa no Microondas

Hoje, o microondas emitiu apitos de aviso e eu desconhecia o som.

Engraçado.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Audiometria



Houve uma grande evolução, em termos de percepção auditiva do antes e pós Implante Coclear, vou esclarecer o diagrama gráfico, ora como vêem na tabela existem 7 cores, certo?

Cada uma delas é agrupado o grau de perda auditiva dominante, portanto a linha preta nela exposta no perímetro rosado está na área da Surdez Profunda, abaixo dos 100 decibéis, ou seja antes de ser implantada ouvia qualquer coisa com ajuda das próteses auditivas.
Sem elas, existia um silêncio total.

O traço vermelho e contínuo, emergiu na era do pós-Implante Coclear, para ser mais exacta dois meses após a activação (Outubro de 2007). Foi a primeira audiometria, e os resultados não tardaram em aparecer assim sendo passei de Surdez Profunda para Surdez Leve. Um espanto!

Superei todas as minhas expectativas.

Finalmente, ainda no processo de reabilitação auditiva onde sou constantemente acompanhada pelos profissionais, em Fevereiro de 2008 renovo o audiograma, desta vez houve uma ligeira subida de 10% em relação ao anterior pactuando na fronteira da audição normal com Surdez Leve bem vísivel no gráfico de linha azul.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Acaso Sonoro

Estive presente no Campeonato Nacional de Atletismo este fim de semana, vi atletas de renome mundial em acção para a qualificação aos Jogos de Pequim no complexo desportivo "A" internacional.

Houve muitas provas: Corrida de Barreiras, Corrida de Fundo, Corrida de Meio-fundo, Corrida de Velocidade, Lançamento do Dardo, Lançamento do Disco, Marcha Atlética, Obstáculos, Salto com Vara, Salto em Altura, Salto em Comprimento e Triplo Salto.

Tive a oportunidade de conhecer novos sons por mim então desconhecidos, é o caso da pistola ar, a queda de uma barreira, as palmadas aplicadas nos músculos dos membros inferiores, e um bailado de vozes deleitável numa viagem sem fim.


No entardecer, abraçei a vibração sonora do vento na intimidade de um sorriso.


Esta quarta-feira tenho uma consulta agendada, para uma melhoria do reajuste em relação ao anterior mapa, espero assim baixar os graves e dar amplitude ás frequências mais agudas de forma as vozes realçarem suavemente e transparente sem poeiras no meio da azafama de ouvir.


Mal posso esperar pelo renascimento em peso!

sábado, 12 de julho de 2008

Instante Sonoro

Ouve-se a minha mão a bater no peito de calor, e peguei numa revista que se encontrava dentro do cesto de palha, empilhado de crónicas, folheei-as uma a uma, e junto ao meu ouvido implantado entrou um som ténue, leve e suave.

Uma sensação auditiva de sopro, reconfortante e encantador ao virar a página.
São estes momentos em que penso, valeu realmente a pena fazer o Implante Coclear e conhecer todos os sons, em busca da última melodia.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Conquistas Sonoras

Dei uma volta na baía com a minha família, ao andar á beira do rio ouvi o bater de asas dos pombos em pleno voo, mais uma descoberta solta invadiu o meu interior mágico e esse som é tão banal para quem as ouve desde sempre.

De regresso a casa, acabei por ligar o computador e ouço a uns 20 metros, o espaço que separa o escritório da cozinha, um nítido ATCHIIIMM ecoado e contínuo, mas ponderado como ondas sonoras submersas no azul do mar.

Eu: “Santinho!”

Pai: “Obrigado”

sábado, 5 de julho de 2008

Dormir com o Implante Coclear


Os eléctrodos comigo, não terão descanso e ontem foi a segunda noite que dormi com o implante coclear activado, posso afirmar sem hesitações, dormi que nem criança ao som da brisa, dos lençóis estendidos na corda a dançar em compasso e batiam nos quadrados brancos do estore na cozinha.

Já mergulhada no sono profundo, a música dos latidos caninos apaixonados abastecia a energia eléctrica ao meu nervo auditivo, doces cócegas irreverentes, pequenas células despertas encheram-me de sensações auditivas que me fez acordar às seis da manhã.

Pestanejo várias vezes na escuridão do quarto, concentrada aos sons em redor, senti ternamente envolvida no clausulo melodioso, no barulhar dos veículos a uma distância soberba, dos passos nas escadas que chiavam dentro do prédio.

Nada é como antes e não existe mais silêncio.