Tenho diante dos olhos um doce amanhecer, o astro-rei radia o rio sereno de onde observava através das janelas envidraçadas do Catamarã, a Lisboa inteira. Contemplo com tranquilidade e tudo que ouço são vozes vindas de todas as direcções a serem derrubadas pelo barulho ensurdecedor do motor e isto estremeceu-me instantaneamente.
De coração envolvido, escutei fascinada a circulação de múltiplas sonoridades, existia em mim uma sensação de segurança e felicidade arrebentada. Um desconhecido encorpado, de barba rija sentado atrás de mim folheava o Correio da Manhã, podia ouvir o sopro das páginas a virar-se ásperas.
Um apito do barco começou a soar, trata-se de aviso, o Catamarã do Barreiro fura de relance em alta velocidade na fachada ultrapassando-me gigante e monstruoso na robustez intrigante com vibrações de ondas, balançando ligeiramente.








