É incrível como tudo muda na nossa vida depois de fazer o Implante Coclear, há ainda a necessidade da procura constante do nosso verdadeiro eu em relação às coisas que nos passam pela frente.
Queremos saboreá-las. Senti-las. Maravilhar e chorar também em sons que nos foram vedados pois pensámos que jamais iríamos voltar ouvir. É a dor deixar-se ir, aos pedaços quando a emoção nos chega de mansinho como uma simples carícia, e neste movimento podemos escutar como soa de forma precisa, em cada tecido de roupa porque o som não é igual, nunca produz de forma idêntica. Vai chegar um dia que seremos incapazes de nos desmembrar enquanto vivermos.
Estamos submersos nesta maravilhosa linguagem dos sons, qual reportório albergado das mais infinitas sonoridades, e foi assim de repente, em segundos desprovida de visão um despertar rumor naquela melodia e reconheci-me sem sombra para dúvidas em cada batida e batuques metálicos. Era alguém a tocar bateria.
Aproximei-me colada junto da porta a ouvir, podia ouvir diferentes intensidades, ritmos e intervalos de tempo. Sim, queria aprender tocar e foi então que pensei “porque não?” – não demorei tempo, a seguir subi para cima e inscrevi-me na actividade.
Foi sublime, maravilhoso sentir a música entrar em mim, profundo e intenso. Fiz assim a primeira aula, superando todas as minhas expectativas, e o professor estava… encantado oferecendo-me as baquetas dos EUA recém estreadas. Segunda-feira recomeço de novo com o trabalho de casa feito, a de tocar nas panelas!
Aqui me despeço com beijinhos sonoros a quem me lê, completando 3 anos, 3 meses, 3 semanas e 3 dias de activada.
Aqui me despeço com beijinhos sonoros a quem me lê, completando 3 anos, 3 meses, 3 semanas e 3 dias de activada.
