terça-feira, 2 de abril de 2013

O Adeus a Coimbra - Parte 1 - O Início



Há 6 anos atrás, no mesmo mês e semana de Março a jornada iniciou-se a desaguar antes do amanhecer cavalgando nas agitadas correntes marítimas do Tejo rumo a Lisboa, no embarque da saída o céu cinzento gotejava ininterrompidamente debaixo do meu guarda-chuva aberto, era assim que o mundo dava banho de água fria sem ver a luz do dia, fomos caminhando em direção à paragem de Táxis.

”Para Santa Apolónia, com urgência.”

Uma vez chegadas no carrossel dos destinos, os bilhetes de viagem procediam com o simples toque do funcionário clicando no botão e o papel começara a imprensar na caixa registadora. Duas notas entregues e uns trocos devolvidos, só restou portanto guardar os bilhetes no interior de uma bolsa evitando que a corrente de ar os apanhasse no voo diabólico, andámos apressadas para a Linha 1 e faltava apenas 6 minutos para a partida.

Enterramos na carruagem cujas janelas do alfa-pendular se encontravam embaciadas pelos pingos de chuva vistos de dentro no conforto do calor e os passageiros enchiam os lugares vagos por ordem de chegada. Lisboa a fundo ainda dormia sem sobressaltos no meio das luzes amareladas, havia aquele brilho mundano de escape serpenteando nas linhas férreas associado à expectativa no aproximar da consulta. Algo ia mudar para sempre. Sentia isso.

E foi então que te conheci Coimbra tão encantadoramente mágica, uma cidade que embalava como uma canção de pontes e rios de estudantes inundados nos milhares guardas chuvas e gabardinas coloridas, entrevia uma canção que iria começar construindo pequenos versos que fala só de um lugar meu ainda incerto mas certo. Logo ali envolveste-me nos teus abraços de Primavera povoando uma neblina de um sol ofuscante a espreitar radiante no meio daquelas nuvens de algodão.

Coimbra contigo foi sentir de novo criança, a necessidade de sonhar trouxe em mim um impulso inexplicável que fulanizou o conceito que tinha da própria vida, quando se deseja algo somos capazes de ir até ao fim do mundo, eu por ti fui mesmo até ao fim fizesse sol ou chuva não descansei com um remanso emocional a circundar nos anseios de uma resposta definitiva após todos os exames feitos. Foi então que a contestação irrompeu na minha vida, pois por fim ia ter-te dentro de mim! Já não precisava de lutar mais contra as marés e ventos de tempestades, não necessitava lutar mais frente a fantasmas do meu passado de infância e contra as negações dadas como garantidas, sobretudo após a sentença de que nunca na vida poderia voltar ouvir porque a verdade é, iria finalmente poder escutar através de um Implante Coclear.

Ser uma Cyborg de verdade e não apenas ficção!

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