quinta-feira, 22 de março de 2012

O Encontro com a Menina


O dia floriu murmurando o desabrochar da Primavera, solarengo e com aquele calorzinho de Verão. De repente deu-me uma vontade irresistível de ir ao Continente Bom Dia comprar umas bolachinhas doces, assim fomos num instante ao pequeno hipermercado da esquina. Achamos as bolachas na prateleira, trouxemos duas e seguimos adiante para a caixa. Foi então que tudo parou, vi uma criança com traças africanas, uma menina que não teria nem perto de 10 anos. Muito atenta aos sons em redor, mexia e revirava o rosto de forma constante, e o processador de fala Nucleus5 castanho, qual chocolate exibido ao mundo!

Sorri estando ela à minha frente, com uma caixa de ovos no seu colo a aguardar que chegasse a sua vez, neste pequeno espaço de tempo dialogamos eu e o meu amor em conjunto de como a bobina era visivelmente mais pequena que o meu. O seu olhar penetrante espantado e frágil, a sua independência em construção para uma vida tão cheia de sonhos e realizações trituravam nestes obstáculos de comunicação com o empregado de caixa, que se mostrou ser incapaz de a entender e ela a ele. 

O suor e os humores começaram a vacilar pelo dinheiro que ainda faltava entregar, apenas 29 cêntimos. Olhei e olhámos para aquele cenário que me fez recordar o meu tempo de criança, lançada ao mundo para enfrentar e amadurecer o relacionamento social com as pessoas e resolver os problemas de maneira ganhar maturidade e experiência para o futuro. São lições de vida que valem oiro. 

Enquanto ambos se debatiam, a menina e o caixa, vi um retrocesso eminente, a menina prontificou-se em entregar a caixa de meia dúzia de ovos por não ter mais trocos consigo, chegou a virar as costas e correr. Houve tempo de a interpelar e avisar que lhe dava os 29 cêntimos em falta. O sorriso foi enorme! Numa acção intimamente pessoal, retirei o meu processador de fala e a mostrei, naquele instante os seus olhos brilharam depois de um sorriso, e de repente um grande obrigado ecoou afastando-se entre-olhando para trás.

O rapaz caixista estava visivelmente atrapalhado pedindo desculpas que não conseguia compreender o que a menina lhe tinha dito. Acontece. Para a próxima já irá lidar mais facilmente a situação por se ter confrontado com esta experiência.       

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