terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

FUI ALVO DE ESTUDO

No ano anterior, no final de 2011, houve uma noite em que a insónia bateu à minha porta e madruguei sem dormir, decidi navegar no mundo louco da internet, e de lá descobri que o meu “Sou uma Cyborg – Ouvido Implantado” foi alvo de estudo, para dizer a verdade: EU FUI ALVO DE ESTUDO - de uma TCC pela suposta antropóloga Thayana. 

A mesma sequer me enviou um respeitoso e-mail electrónico a pedir autorização para caso estiver interessada em participar ou que uma citação minha fosse publicada no seu trabalho, se bem que este blogue está expressamente proibido e interdito de copiar, reproduzir, modificar, exibir, transmitir para fins comerciais e académicos textos meus para qualquer propósito. Estes direitos autorais reservados foram violados, por outras palavras fui violentamente plagiada. 

É na verdade, um acto repugnante vindo de alguém que considera ser Antropóloga e tenta infalivelmente conquistar a sua posição junto dos galardões da Ciência e Cultura baseado nas sortidas fases do método evolutivo, no espaço e no tempo onde a esfera de investigação é tão ampla abrindo uma sinapse de uma sub-cultura dentro da própria Cultura. 

Então vou abrir a brecha, sendo a antropologia considerada uma ciência social, portanto os antropológicos estudam a diversidade cultural a partir das múltiplas manifestações sociais através das vivências de determinado grupo de indivíduos. A Surdez. A Cultura Surda. O mundo Ouvinte. A Língua Gestual. Os Implantes Cocleares. Os Deficientes Auditivos Oralistas. A Diversidade que reside no interior do universo homogéneo da Surdez cuja discussão não tem fim à vista. Uns trocam palavras acesas, uns contam milhentos disparates com a língua do gato mal afinada, fúrias desnecessárias admitidas por parte de quem as defende e de quem discorda. 

Situações, estas para mim absurdamente familiares na minha parede de honra no culminar de inúmeras revelações para afim decidir estereotipar o verdadeiro significado da Surdez enquanto identidade. STOP. Surdez e Identidade são duas coisas completamente diferentes que nada advêm pertencer de uma assentada nesta sub-cultura da Comunidade Surda.  

Ninguém, nem mesmo mestres doutorados da linguística, de sociologia, de psicologia e estudantes podem impor claramente indivíduos que não incumbem nesta categoria da mesma forma que não tem nenhuma razão de nos rotular como indivíduos com falta de identidade a um direito que nos assiste desde sempre: de sermos deficientes auditivos falantes e por opção individual apercebermos que as Próteses Auditivas já não eram suficientemente fortes para os ouvidos, e queiramos melhorar a qualidade de vida mediante o apoio de uma tecnologia avançada ao serviço do ser-humano, a biónica, permitindo muita gente ouvir minimizando impactos cujas dificuldades poderiam ser desmesuradas neste mundo selvagem que fervilha em cada recanto áreas extremamente competitivas. E a nossa identidade não é transformada no momento em que os nossos Implantes Cocleares foram activados, a Identidade por si mesma é apenas uma pequena alçada momentânea, moldada através de experiências sociais com as quais fomos confrontados desde o primeiro choro até aos dias actuais. E sem dúvida que este tema ainda dava para pano e mangas! 

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