terça-feira, 15 de junho de 2010

Dias Sonoros

Podia escrever infinitas coisas e acontecimentos, passei as mini-férias fora do meu círculo natal a duas horas daqui e São Pedro brincou connosco lá em cima do céu brindando-nos uma grande intensa chuvinhada e vento durante o amanhecer. Quando lá chegamos, ao atravessar a ponte que passa o rio Tejo sustive a respiração de tal modo que a beleza da paisagem ultrapassou-me em grande escala, um belo quadro de planícies contínuos como existem nas fotos de revistas turísticas.

Foram dias fantásticos, de ar puro, de animais com o canto bem afinado, os sorrisos e conversas cúmplices de uma geração de outros tempos em que a vida era bem mais dura. O descanso na serenidade de uma casa típica alentejana em tons amarelados e janelas verdes situada no meio do jardim recheado de todo o tipo de vegetais e frutos carregados que nasceram alimentados da terra batida onde a água do poço que escorre estabelece a harmonia da vida. 

Houve tantos os sons que ouvi, alguns mais focados e outros discretos, foi agradável escutar as gotinhas de prata quedar, rolas a cantarolar, houve uma altura já na hora da refeição os galos decidiram iniciar uma sinfonia delirante e depois paravam até que algum galo distante da quinta começasse retribuir cantando. Pareciam estar na paródia, à conversa do que se estaria a se passar, e para juntar à festa os pardais chilreavam. 

Fechei os olhos só para ouvir esta linda orquestra.

A noite rompera silenciosamente soprando uma leve brisa, pelo menos cá fora pois dentro da típica casa alentejana reinavam vozes alegres e divertidas. Sabedoria. Muita. Naqueles sorrisos rasgados e intemporais.

[continuidade]     

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