segunda-feira, 28 de junho de 2010

Antevisão da Cirurgia em 2007 - II

Despertei e o apartamento do meu primo residia silencioso, vi as horas, eram 8 de manhã. Encaminhei com as minhas roupas para a casa de banho, e através do vidro o sol nascia abrilhantando o azul do céu, vinha aí o calor de verão.
Tomei um duche de água fria, pus creme e escovei os dentes por fim o cabelo, olhei-me ao espelho. Pensei, é hoje!
Comecei preparar a mala de internamento, não podia esquecer de nada sob pena de estar em perfeito delírio de uma seca mirabolante, a de não fazer nada nos próximos 7 dias. Chinelos, cuecas, soutien´s, gel de banho e châmpoo. Revistas e livros guardados, dois pares de pijama com fecho de abertura para facilitar a retirada com um monte de ligaduras envoltas na cabeça. Garrafas de água. Iogurtes. Tudo estava feito.

Saímos a caminho para o Hospital dos Covões, visivelmente ansiosa vejo rostos de preocupação, tudo vai correr bem digo. Chegámos. A dra.S. respondeu no dia anterior que tínhamos de estar presentes no edifício principal da ORL, não era necessário dirigir no balcão de atendimento, bastava ligar para ela. Ok. Não foi preciso pegar no telemóvel, já vinha ter connosco e num impasse pronuncia "Olá A. como estás? Estás pronta?" abano a cabeça  em sinal de confirmação e mais uma vez leio os seus lábios "Olha A. eu e a equipa chegámos à conclusão de que afinal não a vamos implantar no pior ouvido, no direito, optamos pelo esquerdo." 

Aquilo apanhou-me de surpresa, já estava mentalizada de que seria no direito, e por curiosidade abordei a questão, de porquê ser no ouvido esquerdo, o mundo parecia querer andar ao contrário. Pelo menos assim me pareceu, naqueles segundos exaltados, e a Dra. S. prontamente concedeu "Os dois ouvidos não são exactamente iguais, morfologicamente tem características diferentes, e segundo o estudo do seu caso a par da evolução da perca auditiva dos audiogramas apresentados, vimos que o esquerdo foi sempre o mais dominante e não só, em termos de amplitude das frequências capta da melhor forma. Acreditamos que após a implantação, a A vai ter uma evolução auditiva mais pertinente. Todavia a gente não avança até a A. decidir".

Não hesitei, nem duas vezes. Sorri. A decisão era minha, ninguém tem autoridade em impor-se nela. Arquitectei a minha voz, "Dra.S. vamos, vocês vão pôr-me a ouvir!" 

Cheguei ao meu quarto de internamento, cheirava a novo, tinham feito obras à pouco tempo, escolhi a cama e ali permaneci.     

Sem comentários: