quinta-feira, 7 de maio de 2009

Reajuste


Tenho diante dos olhos um doce amanhecer, o astro-rei radia o rio sereno de onde observava através das janelas envidraçadas do Catamarã, a Lisboa inteira. Contemplo com tranquilidade e tudo que ouço são vozes vindas de todas as direcções a serem derrubadas pelo barulho ensurdecedor do motor e isto estremeceu-me instantaneamente.

De coração envolvido, escutei fascinada a circulação de múltiplas sonoridades, existia em mim uma sensação de segurança e felicidade arrebentada. Um desconhecido encorpado, de barba rija sentado atrás de mim folheava o Correio da Manhã, podia ouvir o sopro das páginas a virar-se ásperas.

Um apito do barco começou a soar, trata-se de aviso, o Catamarã do Barreiro fura de relance em alta velocidade na fachada ultrapassando-me gigante e monstruoso na robustez intrigante com vibrações de ondas, balançando ligeiramente.

2 comentários:

olinda disse...

Hola Sun, passei por aquí para deleitar-me com as suas palavras. As tuas palavras escritas soam como música na minha mente.

Estou feliz de saber que tudo continúa bem a pesar de que a sua amiga viajou pra longe.

Te mando um beijo cheio de saudades. Até pronto minha amiga cyborg

Lak disse...

Dizem que é a privação de algo que define o verdadeiro valor de alguma coisa.
Mas não sei, as vezes, acredito que somente aqueles que se dispõem verdadeiramente a escutar e não simplesmente a ouvir, conseguem captar o sussurro gritante que é a melodia que canta o mundo.
Certamente, você é uma pessoa abençoada, porque consegue trazer até mesmo aos ouvidos daqueles que não ouvem - meu caso - a poesia dessa bela canção, através de suas palavras nesse blog.
Beijo enorme e, mais uma vez, obrigada.