sábado, 9 de maio de 2009

Reajuste II


As pessoas iniciaram a retirada da embarcação, e as gaivotas batiam asas com gritinhos de prazer, levantei os olhos para o sítio onde o som fora projectado antes de subir a rampa tingida no vermelho – acastanhado da estação fluvial.
Retiro o telemóvel do bolso, são 8h53 e tenho de me despachar apressadamente, desço as escadas rolantes que me conduz ao metro, avisto iludida uma multidão de formigas organizadas e alinhados uns atrás de outros nas quatro filas abrindo o caminho para picar o passe magnético.

O mundo barulhento, não preciso de lhe tocar basta tão-somente ouvir os berros em ebulição, a batuca das vozes, os passos rasteados e os beeps inalteráveis abraçaram as células ciliadas fazendo-as a bailar dentro do meu cérebro auditivo. Visivelmente feliz no acto de escutar, e é maravilhoso!

Por vezes faltam-me palavras para descrever com exactidão. O meu universo mudou tanto em apenas 21 meses, transformando-o numa grande abundância de ruídos, e tal como agora que ouço á distância fascinada, um suave eco forçado e estrépito da carruagem a se aproximar ainda longe.

Quando as portas abriram, entrei adentro aos empurrões para que todos pudessem caber neste minúsculo espaço, apertada e de mão agarrada na argola de metal segurava o peso do meu corpo ágil e magro sempre que o metro fazia travagens bruscas.

Mudei de linha, da verde para a azul, e mais uma vez aguardo a chegada do meio de transporte que me levará a Santa Apolónia.

5 comentários:

Lak disse...

Sun,
os sons estimulam mais do que audição em você, estimulam também toda a poesia da sua alma.
Isso é lindo!
Beijos

Laura disse...

Xi, andas de catamará, de barquito de papel, de metro, combóio, mas onde é que tu não andas? Pois desta vez tamém não tivemos sorte, aind anão me lembro bem, ma spenso que so vou dia 17...antes não posso, e ficou marcado, menina, a e i o u au ee eo ui au etc xiça, e agora tudo junto, mas que barafunda de sons que custam a entender... o que vale é que a daniela é um amor...e tem paciencia e diz que é normal, e trouxe deveres as torneira, prato, copo blá blá, e eu que mal estudo ahhhh, deixa andar, gosto dos sons que ouço e isso é que conta, tenho a mania de cantar por casa e no carro e que bem me sabe...
Olha, hás-de explicar-me por onde se vai, quem sai do hospital e depois leva caminho para apanhar a autoestrada, antes, muito amtes há uma curva para a direita, será que é por ali que se vai dar ao Mondego aquela foto que tens no teu blogue? gostava de lá ir, hoje fui duas h mais cedo e estive no jardim do hospital e gostei daquela paz...beijinhos.

Olinda disse...

Que maravilha Sun!!! Adoro compartir esta nova vida com você. A pesar da minha diferente historia eu tambem estou feliz com o implante. É asombroso.

Te mando un beso grande mi cyborg querida y gracias por compartir tus descobertas con nois

Maria Izabel Viégas disse...

Minha amiga e doce Sun Melody,

Sentes por acaso um "respirar- presença" ao teu lado nesta tua viagem?
Não te assustes: sou eu, estou andando , viajando contigo... confesso que ansiosa mas super confiante que tudo, tudo dará certo!
gostaria de escrever uma postagem sobre ti no meu Blog Memórias de Vidas Passadas, depois te falo.
Beijos no seu coração, linda amiga!

Mamã Etc e Tal disse...

Olá!

Antes de mais, obrigada pelo teu interesse.

Já tinha lido o teu blog, ao qual fui parar quando fiz pesquisas sobre o implante coclear. Também já dei uma espreitadela no fórum. E gostei muito tanto de um como do outro. Do teu blog, admiro principalmente a forma como escreves, límpida e cativante.

Como já deves ter percebido, estou cheia de dúvidas por não ter ainda qualquer diagnóstico definitivo em relação ao problema do meu filho. As próximas semanas vão ser decisivas, com a realização da cirurgia às adenóides e aos ouvidos, e do exame dos portenciais auditivos. Resta-me aguardar, para já.

Depois, e dependendo dos resultados, se vier a precisar, gostava de contar com a tua ajuda. Para me familiarizar com contactos, nomes, procedimentos, experiências, enfim, tudo o que precisar saber sobre o implante coclear e como nos adaptarmos à situação. Acho que não me engano se disser que tens uma atitude muito proactiva e optimista em relação à surdez (e provavelmente em relação à vida em geral), e eu gostava de me rodear de pessoas com esse espírito, no caso de uma surdez ser diagnosticada ao meu filho. Isso conta muito!

Beijos grandes,
Xana