
Amarramos as coisas nas costas, directos para a ponta do mato que fica noutro lado da cidade, pude ouvir os meus passos a roçar os grãos de areia, um som agreste mas surpreendente que fez-me ceder a força do impacto no solo para um feitio mais suave… já não andava de forma desajeitada, aprendi manter a postura delicada.
Pego na mochila, e tiro de lá a toalha de praia colorida onde acabo por a lançar pelo ar cheio de vida e depois desce até ao chão paralisado. É então que o vejo á minha frente, um imenso líquido azul-esmeralda, não me recordo de contemplar algo assim em toda a minha vida.
Boquiaberta. As cores nutriram os meus sentidos. Não era possível, dizia eu, Lisboa estava ali noutra margem, tempo louco este, peixes, observo escamas prateadas que reflectiam á luz do sol, e são tantos… tantos dentro da água, daquele azul-esmeralda.
A visão fora beijada, tinha ficado sem palavras, e escondi o arrependimento por não ter trazido comigo a máquina fotográfica e marcar esta eternidade extática, o calor começara a apertar no meio de um vento brando.
Virei, na espera de amigos á frente da estrada poeirada, uma grande nuvem de pó erguia velozmente e sem esperar ouço um chamamento de uma criança “Maaaãeeee”. Era uma voz diferente, de alguém que não conhecia de nada nenhum, nem muito menos da Rua, a voz de um rapazinho aloirado e moreno a tomar conta do irmão mais novo.
Outro, “Maaaãeeee” inundou o meu ouvido implantado. E foi assim que abracei o som do rapazinho desconhecido sem vigiar por perto, o meu cérebro finalmente aprendeu aspirar uma voz de um lugar que outrora não existia, porque antes ele não aceitava, o meu cérebro não recebia com agrado o fonema misterioso - de um desconhecido.
Hoje ele adquiriu o conhecimento da memória auditiva. Cresceu, e eu prosperei.
1 comentário:
o que eu estava procurando, obrigado
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